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Recadinho

Luiz Carlos Merten

29 de dezembro de 2015 | 11h03

Maria do Rosário Caetano me fez saber, através de meu amigo Dib Carneiro, que não aprovou minha lista de destaques no Divirta-se, o guia do Estado. Rafael Abreu, que faz a parte de filmes, me encomendou três destaques brasileiros e três estrangeiros. Os nacionais foram Chatô (apesar do Sérgio D’Ávila), A Hora e a Vez de Augusto Matraga e Campo de Jogo. Vou morrer abraçado com João Miguel. As viúvas de Roberto Santos, que abdicaram de pensar – é tão mais fácil, não? -, podem ficar com Leo Villar e levar o filme (com Limite) para a ilha deserta. Não vão me fazer a menor falta, nenhum dos dois. Os estrangeiros, Mad Max – Estrada da Fúria, que aquele rapaz, o Quentin (Tarantino) considerou o melhor filme do ano, American Sniper e No Coração do Mar. Maria do Rosário achou que tem blockbuster demais e que falta diversidade. Temo cá do meu lado que diversidade seja, no caso, alguma forma de correção política, mas, como jornalista de cinema, tenho meus motivos para fazer essas escolhas. A ópera futurista de George Miller talvez tenha sido o filme mais avant-garde, à francesa, do ano, à frente do 3-D de Godard, Adeus à Linguagem. E Clint e Ron Howard emulam/reinventam/revisam as obras-primas de John Ford. Clint, o xerife de Hollywood, tem taco para refazer os dois maiores westerns do cinema, mas se Shane/Os Brutos Também Amam, de George Stevens, ele refez como faroeste (O Cavaleiro Solitário), Rastros de Ódio, ou a tragédia do solitário Ethan Edwards, virou drama de guerra em American Sniper. No Coração do Mar transforma a relação de Tom Doniphon e Ramson Stoddard, John Wayne e James Stewart em O Homem Que Matou o Facínora, em drama marítimo, mas filmado, o que só Inácio Araújo tem capacidade de entender/avaliar, à maneira de Raoul Walsh. É uma lista, a de estrangeiros, clássica, mas numa pegada revisionista (pós) moderna. Ouso dizer que, sem os signos mais evidentes, o tropicalismo de Chatô contamina Mad Max. Ou será o meu olhar que une os dois? Rosário pode ficar tranquila. Vou fazer amanhã ou depois, para fechar o ano, uma lista de dez mais brasileiros, dez mais estrangeiros e cruzar as duas para chegar aos dez mais do ano. Vai ter diversidade de sobra.

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