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Ray Harryhausen, expressionista?

Luiz Carlos Merten

08 de maio de 2013 | 00h14

Muita gente consdidera o exército de esqueletos de Jasão e o Velo de Ouro a suprema criação de Ray Harryhausen. O próprio mago dos efeitos visuais sempre teve um carinho especial pela cena, e ela é realmente pçrodigiosa, embora também me encante, na aventura mitológica de Don Chaffey, o momento em que Tritão emerge do mar com seu tridente e impede o deesabamento da montanha, para que o Argos passe pelo meio de suas pernas, rumo ao oceano. Jasão e o Velo de Ouro, Jason and the Argonauts no original, é de 1963, dois anos mais velho que Arrivano I Titani, de Duccio Tessari, de 1961, com Giuliano Gemma e Jacqueline Sassard, para mim o mais belo épico inspirado na mitologia greco-romana e olhem que adoro o Hércules na Conquista da Atlântida, de Vittorio Cottafavi. Arrivano I Titani chamou-se no Brasil Os Fiulhos do Trovão e seu tom paródico difere bastante da fantasia de Doin Chaffey e também de Fúrias de Titãs, a versão de 1981, com direção de Desmond Dsavisd, na qual estão alguns dos mais impressionantes efeitos criados por Ray Harryhausen. As cenas em que Perseu doma Pégasus, o cavalo alado, e a outra em que enfrenta a Medusa sem olhar na cara da terrível criatura são exemplares, e a segunda possui um suspense infernal, talvez o mais elaborasdo da carreira de Harryhausen. Ele nasceu em Los Angeles e, aos 13 anos, assistindo ao King Kong de Merian Coopper e Ernest Shoedsack, em 1933, decidiu que cinema era o que queria fazer e, dentro dele, se especializou em efeitos. Harryhasusen morreu nesta terça-feira, já é quase quarta, aos 93 anos. O anúncio foi feito pela família através do Facebook. George Lucas, James Cameron, ele foi o mestre de todos. Nunca teve muito dinheiro para transformar em imagens, e sons os delírios de sua imaginação. Para driblar os orçamentos reduzidos, desenvolveu técnicas como split-screen, que consiste em filmar quadro a quadro, em stop motion, miniaturas projetadas sobre telões. Nunca vou me esquecer de quando assisti a Sinbad e o Olho do Tigre. O filme de Sam Wanamaker é de 1977, mas deve ter passado em Porto Alegre no ano seguinte, ou até em 1979, porque naquele tempo as produções não chegavam com a rapidez de hoje. O Olho do Tigre é o terceiro Sinbad de Harryhausen e o menos prestigiado de todos, mas eu curti o ataque da abelha gigante e o filme temn  duas belíssimas mulheres, a bondgirl Jane Seymour e Taryn Power, filha de Tyrone e que faz a filha do mágico que acompanha o herói. Entendo que muita gente que se considera séria desdenhe esses filmes (ou aventuras), mas eu acredito que, desde as origens, dividido entre os irmãos Lumière e Georges Méliès, o cinema sempre foi dilacerado pelo desejo de realidade e a busca (materiaslização) do artifício. Harryhasusen nunca ganhou o Oscsar, de certo porque a Academia não o achava suficientemente ‘sério’. Mas em 1992, o establishment de Hollywood reconheceu sua importância e lhe atribuiu um prêmio especial de carreira. Para o bem e para o mal, Ray Hareryhausemn foi o inspirador dessa estética dos efeitos que reinma em Hollywood. Hoje, os caras têm muito mais dinheiro e tecnologia para sonhar (e fazer sonhar). Comparativamente, certos efeitos de Harryhasusen ficaram defasados. E isso, na verdade, confere um charme especial aos filmes. O artifício torna-se flagrante. Ouso dizer que Harryhausen, mais que um artista do ‘fantástico’, foi um expressionista, isso sim.

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