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Questão de honra

Luiz Carlos Merten

15 de julho de 2020 | 11h00

Eu e meus clássicos. O Samurai, Chinatown, Mecânica Nacional. Sigo trabalhando intensamente – o trabalho tem sido meu refúgio, nesse transe medonho. Cada vez mais me pergunto qual será o amanhã? Em seis meses a ‘gripezinha’ de Jair Bolsonaro desestruturou a economia, e não apenas. O que se desenha à frente é a distopia, que antes era coisa de cinema e agora parece assustadoramente real. Um enredo de terror escrito por algum roteirista B muito ruim e que se deixou levar pelos piores clichês, criou vilões (Trump, Bolsonaro) e agora estamos entalados nessa trama diabólica. Tento me manter equilibrado, otimista, mas anda difícil. A humanidade já sobreviveu a outras pandemias – a peste negra, a gripe espanhola. Pergunto-me, em nome da correção, como se deve rebatizar a peste medieval? Eram outros mundos. Lavar as mãos, usar máscara. Quantos teriam sido poupados na ‘espanhola’, outra incorreção? O problema é que parte de nós está tentando fazer as coisas direitinho, seguindo o protocolo, mas têm os bárbaros, que se lixam. O conflito é entre barbárie e civilização. O governo, na cara dura, segue passando a boiada. O desmatamento atinge picos e a medida saneadora é demitir quem o media. A verdade não salva quem a manipula. (Can’t handle the truth, é a fala do General Jack Nicholson em Questão de Honra, mas é o que ele faz no thriller de tribunal militar de Rob Reiner. Acho que vou rever o filme na tarde desta quarta – no canal Sony, às 15h40 – pelo prazer que me proporciona ver o jovem Tom Cruise, impecável no seu uniforme branco, desmontar o fdp Nicholson, lançando por terra sua arrogância, quando é desmascarado. Pena que isso, por enquanto, seja só coisa de cinema.) O corregedor da PM de São Paulo diz que comportamentos abusivos não serão tolerados. Repercutiu muito o vídeo do PM montado no pescoço da comercante negra – em maio. Não, não e não, disseram as autoridades. Não? Ontem mesmo, numa manifestação, os PMs deitaram-se sobre o corpo do motoboy, que gritava que não estava podendo respirar. A Carta desta semana traz uma reportagem esclarecedora. Infiltrados mostra como a máquina bolsonarista domina as polícias. Socorro! Parem a Terra, quero descer. Vi no domingo, não sei se no Arte 1 ou no Curta!, um documentário sobre Gaia. O mito grego para a mãe Terra. Como um planeta de recursos finitos está sendo sugado até o limite. E daí que o desmatamento vai levar à desertificação? Agro é tech, agro é pop, agro é tudo, e por tudo entendam-se os agrotóxicos. Pode-se fazer uma analogia entre as armas e os pesticidas. O horror, o horror. Volto aos meus filmes. No próximo post.