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Quero falar de uma coisa, e é sobre o melhor da juventude (e de mim)

Luiz Carlos Merten

16 de janeiro de 2020 | 23h14

Fui pela manhã ao jornal e escrevi o texto sobre A Melhor Juventude que estará na edição de amanhã – daqui a pouco – do Caderno 2. Marco Tullio Giordana e sua reflexão sobre 40 anos de história da Itália, dos anos 1960 aos 2000, por meio da relação entre dois irmãos, Nicola e Matteo. Interpretado por Luigi Lo Cascio, Nicola estuda medicina, torna-se psiquiatra, luta pelas boas causas. Como a cabeça da gente é complicada – apesar de tudo isso, identifiquei-me muito mais com Matteo, o matto. Matteo vira policial, agente da repressão. Belo, o ator Alessio Boni, e atormentado. Na hora de fazer um título para o jornal, pensei comigo que teria de sair de Coração de Estudante. Cheguei a pensar em Juventude e fé, mas optei pelo Renova-se a esperança. Às 6 da tarde fui rever o filme, a primeira parte, no Itaú Augusta. Tudo o que gostaria é de ter emendado a segunda. Na saída, encontrei Cláudio Fontana e Elias Andreato, que iam ver Parasita. Foi como viajar no tempo, a outra era da minha vida. Emocionei-me muito com La Meglio Gioventù, mas nada que poderia escrever aqui conseguiria superar a poesia e musicalidade de Milton Nascimento e Wagner Tiso.
Quero falar de uma coisa
Adivinha onde ela anda
Deve estar dentro do peito
Ou caminha pelo ar
Pode estar aqui do lado
Bem mais perto que pensamos
A folha da juventude
É o nome certo desse amor
Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Quantas vezes se escondeu
Mas renova-se a esperança
Nova aurora a cada dia
E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê
Flor, flor e fruto
Coração de estudante
Há que se cuidar da vida
Há que se cuidar do mundo
Tomar conta da amizade
Alegria e muito sonho
Espalhados no caminho
Verdes, planta e sentimento
Folhas, coração
Juventude e fé
Não creio que seja melhor que ninguém – profissionalmente, sim -, mas, batendo nos 75 anos, a única coisa que espero é continuar mantendo esse coração de estudante. Lealdade, acima de tudo. Prefiro ser enganado a enganar. Nada disso que estou escrevendo deve fazer sentido para ninguém, exceto a mim. Nunca soube me cuidar da vida, nem do mundo, mas agora, nesse momento, escrevendo e ouvindo o Milton cantar, a sensação é de paz. A vida sempre vale a pena, nem que seja por essas epifanias.

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