As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Quem me dera agora (a viola?)

Luiz Carlos Merten

07 de outubro de 2020 | 21h22

Estava zapeando no outro dia e, ao passar pela Segunda da Música do Canal Curta!, estava começando Uma Noite em 67. Há anos não revia o documentário de Renato Terra e Ricardo Calil. Gostei demais. A passeata contra a guitarra elétrica! Sergio Ricardo e o seu ‘Vocês venceram!’ para o público que o vaiava enquanto ele tentava cantar Beto Bom de Bola. O violão que o Sérgio quebrou e atirou em direção à plateia. O refrão do vitorioso do Festival da MPB, Ponteio – ‘Quem me dera agora/eu tivesse a viola, pra cantar’. Edu Lobo e Marília Medalha. E Caetano Veloso, Alegria Alegria. Dez anos mais tarde – em 2020-, Calil e Terra fizeram Narciso em Férias com Caetano e o filme foi ao Festival de Veneza. Há uma continuidade entre os dois filmes. A arte como resistência contra a ditadura militar. Essa gente podre que fica atacando a democracia e pedindo a volta da ditadura. O mundo está fora de controle. Bolsonaro aqui, Trump lá. O horror, o horror. Gravei hoje uma live com meu editor, Ubiratan Brasil, para comemorar o número 100 da minha lista de Clássicos do dia. Já estou pensando em outros 100. Diverti-me muito criando essa lista. Há seis, sete meses a gente não sabia nada sobre a pandemia, só que era letal, ameaçadora. Nesse quadro, nada melhor do que começar com um filme energético como Cantando na Chuva – Bira, além de tudo, é louco por musicais. Brinca que eu comecei pelo Stanley Donen (e Gene Kelly) para puxar o saco dele. A lista, que começou a surgir espontânea, com os filmes da minha vida – Rocco e Seus Irmãos, Hiroshima Meu Amor, Rastros de Ódio -, passou a ser mais pensada. Não necessariamente os melhores filmes de todos os tempos, mas filmes que me ajudavam a contar uma história do cinema. Não comecei pensando em chegar aos 100, mas agora quero 101, 102, mais 100! Exibidores e distribuidores, aqueles com quem tenho falado, dão como certo que os cinemas reabrem no fim de semana. Será? Enquanto isso, os festivais seguem remotos. Nesta quarta, 7, está começando o Olhar de Cinema, em Curitiba. Logo-logo, a Mostra estará estourando. Nei Duclós – lento e bruto eu mudo/sei que vem outubro. Não vem, já chegou.

Tendências: