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Que THG, que nada… Divergente!

Luiz Carlos Merten

27 de março de 2014 | 09h51

Mesmo sendo rato de livraria, não fazia a menor ideia de que havia uma série chamada Divergente, de uma tal Veronica Roth, e menos ainda que estava sendo adaptada para o cinema, na tentativa de criar outro sucesso tipo Crepúsculo e Jogos Vorazes. Soube do filme na minha última visita a Los Angeles, para a junket de Capitão América 2, quando vi o trailer. Ontem pela manhã, conferindo meus e-mails – dei de fazer isso, ultimamente -, descobri que haveria sessão do filme na Paris. Fui ver. Pausa. Que diazinho danado! Cheguei à redação, depois de almoçar, por volta de 3 da tarde. Tinha feito entrevista por telefone – com Carolina Dieckman – e ainda faria outra entrevista com Martha Nowill, ambas de Entre Nós. Martha está filmando na Rússia. Tem, com Paulo Vilhena, a melhor cena do longa dos Morelli, Paulo e Pedro, e olhem que, para mim, não é pouca coisa dizer isso, porque adoro o filme e seu elenco. A propósito. Evitei quanto pude empregar a palavra ‘ética’ nos meus textos sobre Entre Nós, e não porque não tenha nada a ver com o filme. Tem tudo, na história que trata de amizade e traição, e que consegue refletir o Brasil contemporâneo com muito mais acuidade que filmes que já nasceram com esse propósito (mas não chegaram lá). Na época dos militares, aproveitando a proximidade dos 50 anos do golpe, a gente citava o dr. Samuel Johnson, que dizia que patriotismo é o último refúgio dos canalhas. Hoje, é a ética. A tal revista fala nela o tempo todo, e a atropela alegremente num exercício permanente de manipulação e distorção. A concorrência nem se fala. Arranjou um historiador com a cara de pau de dizer que, se os carros do jornal eram usados para transportar presos políticos – lembrem-se de Cidadão Boilesen -, era coisa do baixo clero, porque a cúpula não sabia. O jornal também não sabia que, nas junkets, o hotel é pago pela empresa que faz o convite. Não sabe nada, nunca, é a própria virgem no bordel, tadinha, salvaguardando a ética. O sistema pode ser promíscuo, mas com certeza se compromete quem quer. Já fui a Nova York para ver Confissões de Uma Gueixa e o filme estreou no mesmo dia em que o Centro Cultural da Caixa exibia um ciclo – em DVD – de Kenji Mizoguchi, e eu escrevi que, para conhecer o mundo das gueixas, era melhor ver As Irmãs de Gion. Nunca ninguém me cobrou nada nem eu aceitei o dinheiro vivo oferecido para cobrir despesas pessoais na junket de Alemão. A m… é que isso terminou transformado em notícia e sendo usado contra o filme. Não prego em absoluto que se omitisse o fato, só que não contribuísse para desqualificar uma obra apaixonante, de um autor sério, que finalmente teve um grande sucesso de público. Enfim, volto ao que interessa. Tinha um monte de matérias na edição de hoje do Caderno 2. Tantas que terminei às 7 da noite, exatamente, no limite do fechamento. Depois disso, saí para jantar e nem tive tempo de postar sobre Divergente. Agora pela manhã, resolvi entrar na rede para ler alguma coisa sobre os livros (é uma série) e até o filme. Só encontrei o que, para mim, é bobagem. O livro, não discuto, mas o teor é sempre que se trata de produto secundário em relação a THG, Jogos Vorazes. O livro pode ser, mas o filme… O primeiro Jogos Vorazes era interessante, Jennifer Lawrence era legal. O 2 é uma das coisas mais bregas que já vi. Em compensação, gostei de Divergente, o filme, e achei bem melhor que THG. A história, lá pelas tantas, com aquelas disputas todas, canibaliza Jogos Vorazes, mas além de ser melhor filmada – Neil Burger fez O Ilusionista, é um diretor, afinal de contas -, é mais complexa e tem uma dupla que a mim interessou muito mais. Aquela Shailene Woodley e o tal, como é mesmo que se chama?, Theo James (fui pesquisar…) formam uma dupla e tanto, e Kate Winslet, por menor que seja o papel, faz sempre a diferença. A fala final de Shailene para ela é maravilhosa. Vale as duas horas que vêm antes. Enfim, uma série teen que se pode ver. Quem discordar, e imagino que muitos discordarão, que siga com seu gosto, mas eu deixo aqui lavrado o meu, à espera de Divergente 2.

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