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Que raio de demônio é esse?

Luiz Carlos Merten

04 de junho de 2016 | 12h59

Como frequentador da Sala Olido, no Centro, lembrei-me no outro dia que ela havia sido reinaugurada em maio, enquanto estava fora, como Spcine. Resolvi conferir. Descobri que, entre os programas, está Demon, horror polaco-israelense que anda frequentando com sucesso o circuito de festivais. Resolvi conferir. É bem melhor que qualquer Atividade Paranormal, mas não sei o que fãs do gênero iriam (ou poderão) pensar. O filme começa com uma pegada à Contrato, o longa de Krysztof Zanussi, de 1980. Uma festa de casamento, os convidados bebem demais e manifesta-se o pior do gênero humano. Em Demon, Peter/Piotr chega da Inglaterra para se casar. A mulher e ele vão morar numa casa herdada da família dela. Um dia antes do casamento, Piotr resolve aplainar o terreno com um trator e encontra uma ossada. Fica perturbado e logo, em plena festa, tem visões de uma mulher morta. Possuído, torce o corpo de forma sinistra e eu me pergunto como um ator – o nome dele é Itay Tiran – faz aquilo ou se é efeito gráfico por computador. Nada é explicado, mas o pai da noiva, o padre e um convidado estudioso de demonologia na cultura hebraica também começam a agir de forma estranha, rapidamente tentando evitar que Piotr até mesmo receba atendimento. O convidado judeu mergulha em lembranças que remetem à comunidade hebreia antes da guerra (e do nazismo). Será alguma culpa coletiva que remeta à responsabilidade de católicos perante o Holocausto na Polônia? A pegada é realista, social – todo mundo enlouquece na festa -, mas com esse fundo de horror. No final, a casa é destruída, a câmera avança para os escombros e, como no desfecho de O Iluminado, de Stanley Kubrick, uma foto pode ser a única chave para nos ajudar a resolver o enigma. Mais que sustos, Demon provoca estranhamento, mal-estar. O filme passou em Toronto e em vários festivais especializados (de cinema fantástico), colhendo prêmios aqui e ali. Vocês devem estar se perguntando – mas por que ele não cita o diretor? Marcin Wrona foi encontrado morto, enforcado, num quarto de hotel da Polônia, em setembro passado, logo após Toronto. Tinha 42 anos, havia se casado recentemente e a mulher foi com ele ao festival no Canadá. O sucesso de Demon lhe abria possibilidades, aparentemente estava tudo bem. Por que o suicídio? O mistério tem agregado ao culto que já se formou em torno de Demon/Demônio. Sugiro que deem uma olhada. O filme está em um horário apenas, com ingressos a R$ 4 (e R$ 2).