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Que dia!

Luiz Carlos Merten

03 de junho de 2015 | 18h24

ROMA – Hoje tivemos, Dib Carneiro e eu, um dia de intensas emoções. Falo por mim, mas não creio que erre, ao inclui-lo. Pela manhã, fomos à audiência papal. Francisco não me decepcionou. É carismático e fez sua preleção contra a pobreza, citando a Bíblia. Não desvie o olhar daquele que pede. Foi um tema recorrente no Festival de Cannes deste ano. Está até no vencedor da Palma, o belo filme de Jacques Audiard. Já que voltei ao tema ‘Cannes’ – os italianos estão até agora tentando entender como, com três filmes de diretores importantes na competição, não ganharam nada. A revolta maior é porque Michael Caine, no filme de Paolo Sorrentino – Youth -, não ganhou como melhor ator. Indignado teria ficado eu, se levasse. Sorrentino fez seus melhores filmes com Toni Servillo. Fez aquele com Sean Penn e ele foi melhor ator. No c…, me desculpem. E pro Servillo, nada? Júris de m… Fechado o parêntese de Cannes, volto a Roma e ao Vaticano. ‘La miseria sociale colpice la famiglia.’ A miséria social golpeia/degrada a família. E o Santo Padre caiu matando no consumismo que caracteriza o mundo moderno, da ec0nomia global. Um discurso de esquerda, anti-mercado. A Abril, que demitiu não sei quantos – vi na rede -, bem que gostaria de enquadrar o pontífice, mas como? Em toda parte é assim. As demissões zeram as contas para que a cúpula da pirâmide social continue ganhando o carro do ano. Ainda sob o impacto das palavras do papa, fui/fomos aos Musei Vaticani, à Capela Sistina. Antes fizemos o recorrido pelas coleções de arte contemporânea, todos aqueles Van Gogh, Gauguin, De Chirico, Chagall, Francis Bacon. E aí chegamos a Michelangelo, O Juízo Final. Na saída, não resisti e fui/fomos de novo à basílica di San Pietro. A Pietà. Leonardo da Vinci pode ter sido o gênio múltiplo que todo o mundo reconhece, mas esculpir a Pietà e pintar o teto da Capela Sistina faz de Michelangelo, para mim, o maior artista que já existiu. Atordoados, corremos para a Galeria Borghese. Todos aqueles Bernini(s). Teria ficado em êxtase, mas depois de Michelangelo… Foi OK, como The Lobster, em Cannes, depois da versão restaurada de Rocco e Seus Irmãos. Para fechar a noite, fomos jantar no Otello. O restaurante originou um filme que passou em Berlim. Il Segreto di Otello.  Foi maravilhoso, um dia muito especial. Amanhã cedo voo para Paris e, na sexta, retomo o caminho de volta, via Amsterdam. Dib voa amanhã, de Roma, para Sampa. O bom de voltar a Paris é que poderei rever, nos cinemas, a versão restaurada de Alemanha, Ano Zero. O que mais vir, ou ver ire, será lucro.