As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Quatro lágrimas, ou estrelas, para o novo Star Wars

Luiz Carlos Merten

13 Dezembro 2017 | 10h50

Gostei muito de Star Wars – Os Últimos Jedi. Creio mesmo que o diretor e roteirista Rian Johnson conseguiu devolver a série ao patamar estabelecido, 30 e tantos anos atrás, por Irvin Kershner em O Império Contra-Ataca e por Richard Marquand em O Retorno de Jedi. Diverti-me com O Despertar da Força, o episódio anterior, e com o spin-off Rogue One, mas nada que se compare a Os Últimos Jedi. Acho que a história ganhou força e os conflitos básicos ficaram mais densos. Rey e Finn como’escória’ foram uma grande sacada de JJ Abrams em O Despertar da Força, mas tudo ganha mais sentido agora na revisão de Rian Johnson e a gente termina por entender melhor a garota. Desaconselho quem ainda não viu o filme a seguir adiante porque tem risco de spoiler, mas a morte de Carrie Fisher – há um ano – criava dúvidas para o desenvolvimento da princesa Leia, em seu reencontro com o irmão, Luke Skywalker. Ele envelheceu muito e Leia mudou tanto que não me admiraria se um dia descobríssemos que o filme foi refeito com uma dublê retocada. Leia não só não desaparece da história como é essencial para a nova esperança que se desenha no próximo capítulo da saga. É um filme sobre perdedores, sonhos destroçados – Luchino Visconti no espaço? Ben Solo/Kylo Ren propõe a Rey que destruam o velho e iniciem nova era, e eu tenho para mim que, assim como o Império surgiu para representar o mundo regido pelo liberalismo econômico nos anos 1980, o Primeiro Império de Kylo e sua cruzada contra a Força Rebelde tem muito a ver com esse redesenho geopolítico (e conservador) do mundo. A nova revolução terá de ser ao vivo, e não transmitida pela TV. Pode ser que me engane – creio que não -, mas Os Últimos Jedi é uma grande aventura ‘revolucionária’, feita de estratégias, avanços, recuos e sacrifícios. Substituindo as estrelas por lágrimas – meu quadro de cotações, – o filme ganha quatro. Seria o bonequinho chorando – de felicidade. Os Kylos desse mundo não conseguem destruir o lado bom da força. A esperança, está na capa de hoje do Caderno 2, renova-se. E ah, sim, já que citei Rogue One – ponho a maior fé no próximo spin-off, já que Ron Howard vai contar o início da ligação de Han Solo e Chewbacca. Talvez ‘Ron’ queira alguém mais jovem e desconhecido, mas eu adoraria ver seu ator fetiche, de dois grandes filmes – Rush, No Limite da Emoção e No Coração do Mar – no papel. Chris Hemsworth, claro. E também, já que estou falando de atores, o quarteto ‘jovem’ de Os Últimos Jedi é excepcional. Oscar Isaac, nunca gostei tanto dele, Adam Driver sensacional – o que tem de feio tem de grande ator – e a dupla Daisy Ridley e John Beyoga. Algo se passa e acho que, no próximo episódio, não veremos o triunfo do casal birracial. Mas ela segue ótima e ele… Vou confessar. Achei o cara meio mastodonte, pouco expressivo no filme anterior, mas Beyoga está amadurecendo, fisicamente, e ficou um tipão. Rose, a japonesinha, leva jeito de se dar bem na série.