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Quase! (A Berlinale)

Luiz Carlos Merten

04 de fevereiro de 2015 | 15h19

BERLIM – Cá estou em Berlim. De novo. Para o 65.º festival. Cheguei em Paris na segunda-feira, depois de alguma agitação no domingo. Cheguei no aeroporto e descobri que havia deixado a carteira em casa. Sem cartões. Como embarcar? Consegui acionar meu amigo Dib Carneiro, que saía do teatro infantil, e ele deu um jeito de passar na minha casa e correr para o aeroporto. Quase não embarquei, mas deu tudo certo. Em Paris, passei dois dias bem movimentados, escrevendo matérias e – adivinhem – vendo filmes. Gostei muito de Corações de Ferro/Fury, a nova aventura de guerra com Brad Pitt, que alguém há de achar filhote de Bastardos Inglórios, mas, na verdade, é a reinvenção do genial A Fera da Guerra. Gostei mais ainda de O Jogo da Imitação. Quem diria – eu, que já escrevi aqui que não gostava de Benedict Cumberbatch, agora estou lamentando que ele vá perder o Oscar para Eddie Redmayne, também muito bom, por A Teoria de Tudo. Vi o Pasolini de Abel Ferrara, melhor que Welcome to New York, o que não chega a representar muita coisa. São filmes gêmeos, e eu volto ao Pasolini de Willem Dafoe. Revi também Colorado, o spaghetti western de meu amado Sergio Sollima. No original, chama-se La Rasa dei Conti – no Brasil foi O Dia da Desforra -, é interpretado por Tomás Milian e Lee Van Cleef e tem trilha de Ennio Morricone. Não é tão bom quanto Corri, Uomo, Corri, mas é bem legal. Revi também Cavalos de Fogo, de Sergei Paradjanov, em homenagem a meu amigo Gabriel Villela, que, me informou o Dib, está na Croácia. De tudo o que vi, só fiquei pasmo com o novo Larry Clark, The Smell of Us, que Cahiers du Cinéma colocou na capa de janeiro como o melhor filme do mundo, a reinvenção do autor – Larry Clark forever Young, proclama a revista. Eu, hein? Cheguei no hotel em Berlim e fiz correndo as matérias para a edição de amanhã do Caderno 2. Nem deu tempo de pegar minha credencial. Vou dar uma volta, comer alguma coisa. E viva a Berlinale, que vai ter, em diferentes seções, expressiva participação brasileira, incluindo Joel Pìzzini na competição de curtas, com Mar de Fogo. Em Tiradentes, Dib e eu passamos momentos ótimos  com Joel, tomando chope e, claro, falando de cinema. Joel Pizzini vai ser homenageado pela Cinemateca Francesa em abril, a partir do dia 11, com direito a seleção de filmes e debate sobre sua obra. Ainda neste mês de fevereiro, de 12 a 25, a Cinemateca de Toulouse também homenageia Júlio Bressane. Para quem vem de Tiradentes, como eu, é estimulante ver como a França celebra o cinema autoral do Brasil.

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