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Quando setembro chegar

Luiz Carlos Merten

02 de agosto de 2013 | 09h24

Já expliquei para vocês que tenho um carinho especial por Ron Howard, a quem entrevistei duas vezes, e o sentimento não é tanto decorrência de admiração pelo seu trabalho. Gosto de três ou quatro filmes dele – Cocoon, Parenthoood/O Tiro Que não Saiu pela Culatra (que deve ser o pior título brasileiro de filme estrangeiro em todos os tempos), o western Procuradas e Frost/Nixon. Achei-o simpático e totalmente apaixonado pelo seu trabalho, e o curioso é que um dos encontros foi pelo western e Howard sabia, ou antecipava, que o filme não iria bem de público, mas disse que Brian Grazer (o produtor) já havia ganhado tanto dinheiro com ele que poderia muito bem arcar com o prejuízo e, em contrapartida, ele havia feito o filme de gênero que queria, como queria. Meu carinho por Howard vem daí. Como ator., eu o vi crescer diante da câmera. Menino com Vincente Minnelli (Papai Precisa Casar), adolescente com Don Siegel (O Último Pistoleiro) e George Lucas (Loucuras de Verão), guardo a lembrança de seu olhar. Em Minnelli, ele tenta influenciar o pai, Glenn Ford, que escolhe uma nova mulher para se casar. Com Siegel, é através dele que vemos a degradação física do mítico mocinho, e ele é ninguém menos que o próprio John Wayne. Imagino o Duke e James Stewart no set de The Shootist. Quantas histórias de John Ford, o Homero de Hollywood. A lembrança de O Homem Que Matou o Facínora, quem sabe de outros clássicos de Howard Hawks, Anthony Mann, Henry Hathaway e Alfred Hitchcock, autores maiores com os quais cada um trabalhou, separadamente. E o jovem Howard ali. Olhando, ouvindo, admirando. Tudo isso é para dizer que tinha grande expectativa por Rush, o longa de automobilismo de Ron Howard, sobre a rivalidade de dois pilotos míticos, Niki Lauda e James Hunt, na Fórmula Um e naquele campeonato de 1976, quando Howard estava sendo dirigido por Siegel. Infelizmente, há um embargo – até o começo de setembro – e eu não vou poder dizer como gostei do filme (ops, estou dizendo) nem que as implicações fordianas do choque e do reconhecimento entre Lauda e Hunt me deixaram louco (mas estou sugerindo, pelo menos). O olhar no cinema, a melodia do olhar. Nicholas Ray. Quando Setembro Vier, e está chegando – não, não é a comédia de Robert Mulligan com Rock Hudson e Gina Lollobrigida -, eu conto.

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