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Próxima parada

Luiz Carlos Merten

06 de julho de 2014 | 11h08

Havia citado o filme de Paul Mazursky no último post, sobre os amigos que vão sempre ruidosamente, em festa, quando sabem que um deles tentou suicídio. Eles sempre chegam a tempo salvá-lo, mas naquele momento de Próxima Parada – Bairro Boêmio chegam tarde demais. Morrem de culpa. Fiquei me sentindo assim por causa do Neymar. O cara foi sempre tão catimbeiro que duvidei na hora da verdade. Mas não acredito que o Zúñiga, naquele lance, tenha ido na maldade. Revi a cena como todo mundo ontem, o dia inteiro, e acho que o lance foi duro, e o colombiano tinha de ser punido, mas a intenção não me parece que tenha sido mais maldosa do que a de todos os outros que têm feito faltas sobre o Neymar. E até o The New York Times, agora interessadíssimo em futebol, assinalou que o Brasil estava fazendo falta sobre falta na Colômbia, para quebrar o jogo do adversário. Isso pode ter levado ao descontrole. Que pena, porque achava o jogo da Colômbia bem bonito, alegre, como o do Brasil na Suécia. Leve e solto. Assisti aos jogos de Argentina e Bélgica e Holanda e Costa Rica. Pelo que a Alemanha mostrou no outro dia não acho que seja imbatível. Pode ser só um desejo, mas já imagino o Brasil passando pela Alemanha e a Argentina pela Holanda, que foi paralisada ontem pela minúscula Costa Rica. Uma final latina, verde e amarelo contra a celeste. Na hipótese de os europeus fazerem a final e Brasil e Argentina irem para a disputa do 3.º acho que, por uma vez – o terceiro nunca nos interessou –, teríamos um jogo épico. Assisti ontem à entrevista de Felipão no Jornal Nacional. Fica mais fácil fazer jornalismo quando os contratos garantem que Luciano Huck visite a concentração ou que o técnico vá à central da Globo, mas não vou tirar o mérito de ninguém – foram boas perguntas, e Felipão, passada a tempestade, estava sereno. ‘Catástrofe é oportunidade’ são palavras dele, a manchete de hoje do Estado. Mas o que mais gostei foi quando Felipão disse que Neymar, dependendo de suas condições, é superconvidado para assistir a Brasil e Alemanha do banco, ou de onde quiser. Se isso ocorrer, o coração do moleque vai ter de ‘guentar’. Porque vai ser uma ovação para entrar para a história. E o estádio gritando o nome dele é uma coisa– fordiana – que adoraria ver.

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