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Profissão esperança

Luiz Carlos Merten

10 Julho 2018 | 09h00

E a Copa vai terminando. Hoje teremos França e Bélgica, e poderia ser França e Brasil, se – para usar uma metáfora de cinema – os Três Patetas não tivessem invadido o campo na partida anterior, decisiva. Quem sou eu para demonizar o Tite? Mas o cara parece o capitão do Titanic. Morre abraçado para provar suas convicções, mesmo quando não estão dando certo. Não é um improvisador. Se o esquema tático não funciona – nunca sei se a história do Garrincha é verdadeira, mas sempre ouvi dizer que após uma preleção do Feola ele perguntou se o adversário também estava sabendo como se comportar, para a seleção poder implementar seu jogo; e era Garrincha, que, como Pelé e outros craques, desequilibrava uma partida -, Tite perde o timing. Ou os jogadores têm um click de genialidade, como Neymar na prorrogação contra a Costa Rica, ou as coisas vão pro brejo. Foram. Mas duvido que, na hora H, eu desista de ver esse jogaço. Os Dardennes certamente estarão torcendo pela seleção belga. São boleiros doentes. Quando fui jurado delas na Caméra d’Or, em Cannes, estava muito interessado em certas pesquisas de linguagem. O Don Quixote de Albert Serra, Honor de Cavalleria, um documentário deslumbrante sobre Zidane. Eles não quiseram saber, descartaram logo, e o Zidane eu sempre achei que não era pelo filme. Era pelo personagem, pelo futebol. Talvez esteja sendo injusto. Daqui a pouco, tudo isso estará esquecido. O brasileiro, profissão esperança, já está sonhando com o Catar. Ontem, o SPTV mostrou uma reportagem sobre quanto você precisa economizar por mês para comprar as passagens, hospedagens e jogos daqui a quatro anos. Um pouco menos de R$ 400, se for sozinho. Este ano não deu. A Copa será europeia, entre os vencedores de França e Bélgica e Inglaterra e Croácia. Europeia, como tem sido. O hexa, em 2022?