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Presença brasileira

Luiz Carlos Merten

09 de maio de 2013 | 09h25

Un Certain Regard, Um Certo Olhar. Minha amiga Ildsa Santiago, do Festival do Rio, será jurada da mostra que compõe a seleção oficial com a competição. Pode ser que esta venha a supreender, e tem muitos nomes bons, mas de cara achei a seleção de Un Certain Regard mais exigente. Ilda vai ver muita coisa boa, espero. Procuro ver filmes das demais seções,.mas a prioridade é a compdetição e o problem,a é que muitas vezes os horários batem. Por isso mesmo, gosto der ficar aqueles dias em Paris depois, quando as mostras Un Certain Regard e Semana da Crítica migrasm para lá. No ano passado, assisti a Beasts of the Southern Wild e o filme do filho de David Cronenberg, Virus, no Reflets Médicis. Já falei aqui, e não vai nenhuma originalidade nisso, que a ausência do cinema brasileiro na seleção oficial somente depõe contra o festival. Pode ser problema de datas, pode ser o escambau, mas com certeza não é falta de qualidade da produção nacional. A gente vê tanto filme ruim nesses grandes eventos que pode apontar pelo menos uns 20 nossos que são muito melhores. E não é um problema específico do cinema brasileiro – é do latino em geral. O africano, então, nem se fala. Cannes privilegia a Europa, a Ásia e os EUA, que garante o glamour do tapete vermelho. Não tenho problema nenhum com isso. Hollywood continua fazendo grandes filmes – é verdade que os que eu considero maiores não são os que agradam a muita gente, na crítica inclusive – e a grande patrocinadora de Cannes é a L’Oréal, uma empresa cujo lucro está ligado à beleza e que, portanto, quer ver aquele tapete vermelho cintilando. O que já percebi é que o diretor artístico Thiérry Frémaux tem uma manreira meio torta de mostrar que prestigia o Brasil. Em anos sem longas nacionais, existem sempre brasileiros no júri, ou nos júris. Ilda está no júri de Un Certain Regard, eu mesmo já integrei o júri da Caméra d’Or. Neste sentido, imagino que nossos diretores e produtores prefeririam não ver brasileiros nos júris, e isso sem nenhum rancor.

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