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Precisava?

Luiz Carlos Merten

21 Setembro 2013 | 10h09

Cheguei ontem em casa e me esperava um pacote da Paramount, com quatro lançamentos em Blu-ray. O documentário de Miguel Faria Jr. sobre Vinicius de Morais e três ficções – o Romeu e Julieta de Franco Zeffirelli, shakespeariano profissional, do tempo em que o diretor era bom ou, pelo menos, se aplicava; Maratona da Morte, de John Schlesinger, com a cena terrível na tortura na cadeira do dentista; e Os Suspeitos, de Bryan Singer, que deu o Oscar de coadjuvante para Kevin Spacey, o primeiro desse ator, que ganhou depois o de protagonista, por Beleza Americana, de Sam Mendes. Deus do céu! Kevin Spacey ganhou dois Oscars (dois!) e gente muito melhor que ele não ganhou nenhum… Prêmio de merda. Romeu e Julieta é colírio para os olhos – Oscars de fotografia e figurinos, e ainda a trilha de Nino Rota, com a canção A Time for Us. Sou capaz de ouvir a voz rouca de Olivia Hussey e aquele Leonard Whiting não era mole não, mas me lembro de ter visto uma foto dele, anos depois, barrigudo e careca, o que me fez lembrar da frase emblemática de minha amiga Angélica de Moraes – Viver faz mal à saúde. Sobre Schlesinger, existe uma história ótima, que não sei se já contei no blog. Ele era gay assumido e fez dois filmes que ajudaram o romper o véu do assunto em Hollywood – Perdidos na Noite, que ganhou o Oscar, e Domingo Maldito, que é melhor ainda. Schlesinger tinha um pai que sempre o apoiou, mas que um dia reclamou para ele – ‘Meu filho, precisava ter feito o Peter Finch (o gay) um judeu em Domingo Maldito? Não podia ser católico ou qualquer outra religião?’ Sempre achei a história muito engraçada, embora meio mundo vá dizer que é incorreta.