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Praça de guerra

Luiz Carlos Merten

01 de outubro de 2013 | 09h20

RIO – Tentei postar ontem à noite para dar contas do que se passsasva no Centreo do Rio, mass havia a sessão o filme de Sergio Bianchi, O Jopgo das Decapitações, às 21h30, e3 depois, ao sair, tinha de comer alguma coisa, poreque comecei o dia com problemas de intestinos e não comi nada. A caminho do Odeon, passei por Beirute, Hebron, Chatyla. Manifestantes armaram um acampamento em frente á Câmara Municipal. São professores que protestam contra uma lei de carreira que os prejudica. Gente que leciona há 20/30 anos por um salário de merda e que exige respeito. A polícia é truculenta, como sempre. Disparou suas bazucas imagino que com bombas de efeito moral. O som é ensurdecedor. Black blocs infiltrados no movimento atearam fogo aos sacos de lixo que os escritórios despejam nas calçadas. Em princípio, não tenho medo dessas coisas, mas a massa de PMs com capacete, cassetetes e escudos é certamente um espetáculo de intimidação. Eles se postaram em frente ao Odeon. Os black blocs até me preocupam mais. Com o rosto coberto, só se vê os olhos, e não são olhares apaziguadores. Imagino que um black bloc desses, topando comigo, me veja como inimigo, como aquele infeliz que me enfiava papel higiênico na cara, na noite de abertura, dizendo que eu ia ver merda da Globo. Por um momenbto, cheguei a temer que o Setembro Negro fosse parar o festival, como ‘maio’ fez com Cannes, em 68. Vi que a popularidade da presidente Dilma subiu, mas ela vai ter de desdobrar para restabelecer a confiança do povo, se é que isso vai ocorrer. Não à Copa, não às Olimpíadas. São palavras de ordem muito fortes. O filme de Bianchi é um pouco sobre isso que ocorre no Brasil hoje. Militantes dos anos 1960 e 70 hoje estão no poder, têm suas ONGs, ganham indenizações. Fernando Alves Pinto faz o filho de uma ex-guerrilheira e de um cineasta maldito. Tem um amigo.  Silvio Guindane, que aponta os podres desse mundo. Nando faz um mestrado sobre a repressão do asparelho militar. Provoca a mãe, que o sustenta. Ela diz que não aguenta mais. No final, ele reage irracionalmente, como qualquer desses black blocs que querem ver o circo pegar fogo. Faz isso de cara descoberta. Bianchi disse coisas corretas – sobre a oposição entre engajados e desbundados, que marcou sua geração, sobre a formatação do mercado para o produto americano. A polícia baixa o pau no filme dele. Não é um cinema que me interesse muito. Michael Haneke é um misantropo nas relações pessoais. Quem quiser pode carregar a cópia de Amor para a ilha deserta, porque eu não disputar a última existente. Bianchi é um misantropo social. Seu discurso contra políticos, ONGs, clientelismo, classe média etc, deveria fazer dele o cineasta da Veja, mas Bianchi é transgressor em outro nível que não interessa à revista. Não é um mau diretor – não! – e gosto de seus filmes antigos, como Romance e Causa Secreta, mas não consdigo vê-lo como um ‘pensador’ do Brasil, e os seus últimos filmes apontam nessa direção. E me incomodam suas cenas de multidão, de protesto, de repressão. Os planos são fechados, tenho sempre a sensação de que há uma carnavalização da violência no estilo paupérrimo de José Mojica Marins, mas lá a coisa funciona muito melhor. Meu amigo Rodrigo Fonseca tinha me falado maravilhas do filme. Disse que era extraordinário. Infelizmente, não entrei nessa. Mas prometi a mim mesmo uma coisa. Bianchi é como Beto Brant, apesar das diferenças entre eles. Não me interessa mais. Acho que seria melhor não falar desses caras, para não me desgastar nem parecer antipático, inimigo do cinema brasileiro. Esse post é algo como uma despedida.

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