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Pra ter fon-fon, trabalhou, trabalhou…

Luiz Carlos Merten

18 de agosto de 2018 | 11h28

Está sendo uma semana muito musical para mim. Assisti a Onde Está Você, João Gilberto?, o belo documentário ficcional que Georges Gachot realizou com base no livro de Marc Fischer; e também ao Simonal de Leonardo Domingues, que terá sua estreia mundial na segunda, 20, em Gramado. Preparem-se para o choque – Fabricio Boliveira! E a Teresa, Ísis Valverde. Que mulher é essa? Billy Wilder dizia que a câmera escolhe e acaricia algumas mulheres – Marlene, Marilyn… Ísis. Coragem do diretor reunir de novo a dupla de Faroeste Caboclo, e para nova cena caliente de sexo. Assisti ao dois filmes sozinho, numa sala do Reserva e na cabine da Paris. Foi um privilégio, sei, mas essas exibições exclusivas favoreceram a imersão. Simonal, o próprio, regendo a plateia de 30 mil vozes no aquecimento para o show de Sérgio Mendes, no Rio. Simonal, Boliveira, que se ausenta do palco em São Paulo e deixa o público ritmado, cantando, enquanto ele…. Esperem! Vejam! O artista genial, o negro que, para ter fon-fon, trabalhou, trabalhou. O dedo-duro que destruiu, meteoricamente, a própria carreiras. Simonal e os militares. Simonal delatou? Tema forte, polêmico, no Brasil atual. No meu imaginário, a história de Simonal tem algo da arrogância de Elia Kazan, outro grande artista que se encalacrou com uma delação. Imagino que o filme poderá provocar um debate animado na terça. Desisti de Gramado este ano por causa da perna. Mais de uma semana sem meu físio, a prótese é de metal e, no frio, a tendência de sentir dor é maior. Aqui mesmo, em São Paulo, ando acordando com a perna mais rija e só, aos poucos, vou recuperando a maleabilidade. Espero voltar a Gramado – toc-toc-toc na madeira – no ano que vem. Mas seria interessante participar do debate sobre Simonal.

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