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PPP, o que é, o que é?

Luiz Carlos Merten

21 Novembro 2018 | 10h10

Fui ver ontem, no Dia da Consciência Negra, no Teatro Municipal, o Pequeno Príncipe Preto. Transformado em sigla, seria PPP. Cheguei antes das 10 – o espetáculo estava programado para 12 horas – e a fila já dobrava o quarteirão. Salvou-me ser preferencial, mas o lugar era na lateral do foyer, fila B. Les enfants du paradis. Vi filmes, mas nenhuma adaptação do livro cultuado de Antoine de Saint-Exupéry para o teatro. Quando garoto, em Porto Alegre, no Júlio de Castilhos, houve uma representação – em francês. Eu era o próprio. ‘L’essentiel c’est invisible pour les yeux.’ O essencial continua invisível para os olhos, e vai ser sempre assim, o espetáculo não teve chapéu, isto é, o elefante engolido pela cobra, nem rosa, nem raposa. Quer dizer, pode ter tido equivalentes metafóricos. Teve as viagens entre planetas, baobá, ritmos afro, cabelo pixaim e a pergunta que cabia a nós, o público, respondermos – por que o Pequeno Príncipe não pode ser preto? Gostaria muito que Dib Carneiro, como maior especialista em teatro infantil do País, estivesse por perto para discutir com ele as escolhas do espetáculo de Rodrigo França, texto e direção, e Junior Dantas, ator. A presença de artistas negros nos palcos continua sem solução no teatro brasileiro. Ah, sim, eles aparecem, aqui e ali – e às vezes surge uma Navalha na Carne Negra, o mais belo espetáculo do ano, vou instituir o Prêmio LCM para garantir que ganhe – e no recente encerramento do Festival do Rio, Ruth de Souza, presente na plateia do Odeon, recebeu uma ovação linda, aplaudida de pé. Mas ainda são exceções e a representatividade – do negro, da mulher negra, da trans negra, do gay negro – segue sendo um tema que só o Mix Brasil, como Festival da Diversidade, englobando essas e outras, dá conta.