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Pontos de vista, a namoradinha e a matriarca do Brasil

Luiz Carlos Merten

27 Outubro 2018 | 08h36

Regina Duarte deu entrevista ao Estado, explicando seu apoio ao coiso. Diz que seu filho a exortou a tomar partido. Hummmm! Tiveram, um encontro, ela achou o candidato um homem doce. Comparou-o a seu pai. E disse que os homens de bem, nos anos 1950, eram assim mesmo – racistas, homofóbicos, autoritários, mas tudo da boca para fora. Ocorre que o mundo mudou, o candidato não é um homem dos anos 1950 e, no Brasil de 2018, homofobia e racismo estão matando, caso ela não saiba. Vi ontem, en passant, devia ser na propaganda eleitoral na TV, um vídeo de Bolsonaro dizendo que pobre só serve para votar. Um título de eleitor na mão e um diploma de burro no bolso. Pelamor de Deus… Pessoalmente, achei Regina patética. Ela lamenta que, lá atrás, tenha feito aquela declaração, o célebre ‘Tenho medo!’ O Brasil daquela época queria Lula e ela devia tê-lo abraçado. O Brasil de hoje quer Bolsonaro e ela o abraça. Afinal, é a namoradinha do Brasil. Então, tá. O papel colou nela. Nossa Baby Jane. Fernanda Montenegro, a matriarca do Brasil – acaba de completar 89 anos, em plena lucidez -tem um pensamento mais crítico. Entrevistei-a ontem sobre os 20 anos de Central do Brasil, que serão comemorados na terça, na Mostra, com um reencontro dela com Vinicius de Oliveira – o garoto virou um homem – e Walter Salles. (Walter só fala na segunda, após a eleição. Vamos ver o que vai dizer sobre ‘ética’, o tema de seu filme, no novo País. Novo mesmo?) Fernanda me disse que não vê o filme completo há muito tempo, mas se emociona profundamente cada vez que ouve o tema de Antônio Pinto. Espera, finalmente, sentar-se para revê-lo na terça. Vai ter uma surpresa. Acho, eu!, que Central do Brasil ficou melhor. A entrevista dela sai na terça, no C2, mas antecipo um trecho – “Estamos nesse momento trágico, nesse processo eleitoral radicalizado, em que os candidatos existem em função um do outro. Não é só optar, é como cortar o pescoço. Como chegamos a isso? Sou de um tempo em que os candidatos debatiam, faziam comício, respeitavam a mídia. Hoje, nessa era de ciência e tecnologia, as pessoas se refugiam nas redes sociais e todo dia tem denúncias de fake news. É muito doloroso viver no Brasil de hoje, porque aponta para o retrocesso. Essa gente querendo autoritarismo, pedindo a volta dos militares. Para mim, o grande problema do Brasil é a falta de saneamento básico. Os governos não resolveram o problema e os excrementos, como vou dizer? Estão aí, entranhados.” (A merda tomou conta de tudo, agora sou eu, interrompendo a Fernanda.) E elas, de novo – “Mas não tem jeito. Para o Brasil voltar a ter esperança, vamos ter de pacificar esse País, e não vai ser com armas nem metralhadoras. A mentalidade belicosa só vai trazer mais guerra e aprofundar a crise.”