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Ponto Morto!

Luiz Carlos Merten

02 Abril 2017 | 10h23

Queria publicar logo o post sobre Jovem aos 50. Tomei banho, preciso tomar café e sair porque tenho um compromisso. Mas não posso deixar de acrescentar rapidinho outro post para desenvolver depois. É da série O crítico de cinema vai ao teatro. Fui ver ontem à noite no Tucarena Ponto Morto, texto de Hélio Sussekind, que nem sabia quem era. Jornalista… Ainda não consegui pensar direito no que vi, porque o documentário sobre a Jovem Guarda permaneceu comigo. Mas é o último dia e, se eu conseguiu levar pelo menos uma pessoa com o post, ficarei feliz. Vou logo dizendo que é um texto duro. O filho eterno cresceu, não é mais o garotinho do livro de Cristóvão Tezza nem do filme de Paulo Machline. Virou um fardo para o pai. Vagam numa floresta, depois numa cidade, de volta à floresta. O pai não aguenta mais. Quer abandonar o filho autista. Ele lhe pede uma história. O pai conta a fábula da galinha e da raposa, e de como a galinha… Vejam. O texto mistura alguma coisa de O Filho Eterno, sem final feliz, com as indagações existenciais e filosóficas de Samuel Beckett. Denise Weinberg codirige com Camilo Bevilacqua. Vou falar dela, que conheço (e admiro), mas é um trabalho de dupla. Deve valer para os dois. Denise, atriz poderosa, não é fraca como diretora. Usa todo o espaço da arena do Tuca e faz um belo trabalho de iluminação. Infelizmente, não vi o fôlder – teria comprado, como comprei o ingresso – para poder elogiar o trabalho de… Quem? Mas é, acima de tudo, um trabalho de interpretação. Marat Descartes, por suas escolhas autorais, já foi homenageado na Mostra de Tiradentes. Faz o filho. Fala compulsivamente, o pai lhe pede um minuto de silêncio. Um minuto! A peça tem momentos tão fortes que quase caí da cadeira. A lição de masturbação… O pai é Luciano Chirolli. Não sei se a peça começou agora ou se vem do ano passado. Está lá escrito apenas ‘Curtíssima temporada’. Se for de 2017, já temos – em março! – melhor(es) ator(es).