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Poderosa

Luiz Carlos Merten

06 de outubro de 2013 | 11h30

RIO – Assisti ontem ao terceiro grande filme da Première Brasil. Lobo Atrás da Porta desembarcou no Festival do Rio com o aval do prêmio Horizontes Latinos, que ganhou no Festival de San Sebastian. Po-de-ro-sa. Leandra Leal vai ganhar de novo o prêmio de melhor atriz. Por mais que goste de Silvia Lourenço, e das atrizes de Entre Nós, à frente Martha Nowill, não vejo muita saída para o júri integrado por Lázaro Ramos e Helena Ignez. E o filme é muito bom. José Carlos Avellar já me havia falado bem do filme de Coimbra, mas só dizendo que era bom e, como filme de estreante, melhor ainda. Confesso que não sabia nada da história. Sentei-me no reservado da Petrobrás – não havia outro lugar e não queria ir para o puleiro, de onde assisti a O Homem das Multidões -, ao lado de Andrea Cals, a sra. Première Brasil. A narrativa é uma loucura. Uma garota é sequestrada na escola e começam a surgir as versões. Papai tem uma amante, mamãe pode ter (será?) um amante. Pensei que seria um relato no estilo de Rashomon, de Akira Kurosawa, mas, de repente, as versões se concentram numa personagem, que mente e, finalmente, conta a verdade. Verdades e mentiras, segredos e desejos. A rigor, bem a rigor, existe uma debilidade nesse artifício dramático, mas não dá para sentir – é uma coisa para pensar depois -, porque a tensão é tanta que vi o filme eletrizado. Elétrico. Millhem Cortaz, Fabiula Nascimento, Juliano Cazarré (na pele do policial), são todos bons, mas Leandra… Fernando Coimbra veio do curta-metragem. Teve um importante aliado em Lula Carvalho, que assina a fotografia. Este festival tem sido – também – dos fotógrafos. Ivo Lopes em O Homem das Multidões, Gustavo Hadba em Entre Nós e o Lula. O que esse cara faz com uma câmera não está no gibi. Amei. E confesso que estou com inveja de meu amigo Rodrigo Fonseca. Gostei de todos os debates que já fiz e farei, mas o de Lobo Atrás da Porta seria uma tentação.

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