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Pirandelliando…

Luiz Carlos Merten

21 de setembro de 2013 | 09h35

Pedrita foi uma que, quando escrevi sobre o encantamento que me produziu Os Gigantes da Montanha, de meu amigo Gabriel Villela, com o Grupo Galpão – que vi em São Del Rey, numa noite fria -, disse que o espetáculo já estava em sua mira e que não o perderia por nada. Espero que a Pedrita tenha ido ontem ao Parque da Independência, na primeira das duas apresentações de Gigantes em São Paulo. A outra será hoje à noite, às 20h30. Não percam. Gostaria de ter postado alguma coisa ontem, mas meu dia foi atribulado. Dividi, de qualquer maneira, meu espaço de cinema na Rádio Estadão com o teatro, para conclamar o público a ver a bela encenação. Gabriel é f… Se é bom indoors, acho que é melhor ainda em seu teatro de rua. Acho que cada um tem seu Pirandello, no teatro e no cinema, porque o cinema italiano, principalmente – e compreensivelmente -, interessou-se muito pelo autor. Só que, mais do que Matias Pascal de Mario Monicelli (e Marcello Mastroianni), amo Kaos, dos irmãos Taviani, com as excepcionais histórias de O Outro Filho e O Mal da Lua, se bem que O Vaso (ou A Jarra) ilustra bem os conceitos pirandellianos, aquela coisa de separar o cômico do humorístico, que está na essência da atividade dramatúrgica do autor. Pirandello ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 1934 e, no ano seguinte, doou sua medalha de ouro numa campanha movida pelo fascismo – dê ouro pela Itália, quando a Liga das Nações aplicou sanções econômicas ao regime de Benito Mussolini, por sua campanha na África, invadindo a Abissínia. Pirandello morreu em 1936, amargurado. Intuiu, ou antecipou o que estava ocorrendo na Itália e no mundo, mas não teve tempo de concluir Os Gigantes e o desafio dos encenadores é sempre imaginar o melhor desfecho para a fábula. Se apoiou o fascismo – na tal campanha do ouro -, Pirandello logo se arrependeu, porque o tom do espetáculo está nessa fuga à fantasia para fugir ao horror do mundo real – e Pìrandello não viveu para ver até onde chegou o horror do nazi-fascismo. O espetáculo do Galpão é lindo, e sugiro que vocês procurem na rede um vídeo produzido pelo Galpão, que começa justamente com o Gabriel falando, com sua imensa erudição, sobre o dramaturgo e escritor, e sua concepção do espetáculo. Ontem, troquei o Gigantes pelo Indie, mas hoje, no CineSesc, o filme que quero ver é à tarde – o coreano Jiseul, às 17 h -, o que me permitirá correr ao Ipiranga para adentrar, de novo, na riqueza (e musicalidade) da encenação do meu amigo. Olhá lá, hein, Pedrita…

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