As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Pingos nos is (um imbróglio a partir de Agosto, a peça)

Luiz Carlos Merten

17 de julho de 2018 | 12h07

Já faz algum tempo que não falo com Dib Carneiro Neto. Quando fui ver, no fim de semana, Agosto, no Sesc Consolação, chamou-me a atenção o nome da produtora Maria Siman. Fui pesquisar porque Dib, dramaturgo e autor do texto de Pulsões e a diretora do espetáculo, Kika Freire, andaram tendo problemas com uma produtora que eu identificava no meu imaginário como ‘Simas’. Ao conferir se havia outra Simas, dei de cara no Google – era o segundo ou terceiro texto para pesquisa – com o artigo do Globo detalhando o imbróglio da produção de Pulsões. Pois bem, Maria Siman escreveu um e-mail para meu editor, Ubiratan Brasil, dizendo que, num artigo no Estado online, eu havia sido ‘malicioso’. Me acusa, inclusive, de fazer um título – Agosto destaca duas atrizes, Guida Vianna e Letícia Isnard – que promete uma abordagem do espetáculo e, depois, desvia para atacá-la. Só pode ser mania de perseguição. Sinto muito, mas Maria não sacou nada. O blog é um espaço diferenciado do jornal, onde as reportagens – sejam críticas ou não – obedecem a uma estrutura de texto. No blog, solto o verbo, misturo as coisas, faço as ilações que me parecem interessantes e possíveis, e tudo isso sem fotos, que hoje em dia são tudo – a sociedade da imagem. Alguém já me disse, brincando, que meus textos no blog são ‘joycianos’ (mas com ponto e vírgula, acrescento). Ou seja, lê quem quer, porque não facilito as coisas para ninguém , nem para mim. Se Maria tivesse se dado ao trabalho de ler qualquer outro texto meu de teatro no blog veria que é assim. No e-mail para o Bira, ela confirma que o MPF acatou uma denúncia referente à execução do projeto Pulsões, realizado no ano de 2015 pelas empresas Primeira Página e Umbu de Vez. Mas esclarece – “Mesmo com a denúncia, apresentada ao Ministério da Cultura e ao Ministério Público Federal, o projeto teve a execução do objeto e gestão financeira integralmente aprovadas pelos órgãos competentes à análise de prestação de contas da Lei Rouanet, o que indica que foi executado conforme o proposto em todas as suas etapas. A denúncia, até o momento, não foi aceita pelo Judiciário. Portanto, não tive ainda a chance de apresentar minha defesa, da mesma forma que o artigo em questão (no Globo) não me possibilita apresentar a verdade dos fatos.” No meu texto, sem saber desses detalhes, digo que, se ela continua produzindo e captando, é porque a denúncia deu em nada. E volto a falar do espetáculo, que é, repito, honesto e merece ser visto. O que não concordo é que Maria tenha pedido a meu editor que a referência que ela considera maliciosa seja retirada do meu texto, ainda por cima dizendo que não seria censura. Pronto – dei-lhe o espaço para sua defesa. E sugiro que Maria lute, isso sim, para retificar o artigo do Globo, que imagino que ela considere tendencioso. Qualquer pesquisa sobre ela, é o que vem destacado. E não é fake news, é o Globo.