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Phil Karlson, o príncipe do filme B

Luiz Carlos Merten

10 de agosto de 2019 | 14h11

Já escrevi no blog que Margot Robbie, como Sharon Tate, representa a luz que ilumina o novo Quentin Tarantino. O brutal assassinato dessa mulher num ritual satânico foi uma perda irreparável, e Quentin adota o revisionismo histórico. Era Uma Vez… em Hollywood. Com a liberdade que a ficção permite, Tarantino imagina sua Sharon indo ao cinema para se ver na tela. O ano é 1969, o mês é agosto – Sharon Tate foi morta no dia 9; ontem completaram-se 50 anos – e o filme foi o último lançado com ela ainda em vida. Arma Secreta Contra Matt Helm, a quarta e última aventura do agente interpretado por Dean Martin. Imagine-se nos anos 1960. Sean Connery estourara nas telas como 007 e Hollywood produziu os próprios agentes. Flint, Matt Helm. Esse último surgiu em The Silencers, de 1966, lançado no Brasil como O Agente Secreto Matt Helm. Dean Martin, Stella Stevens e um diretor que Jean Tulard, no Dicionário de Cinema, chama de ‘príncipe dos filmes B’. Phil Karlson dispõe dessa reputação graças principalmente aos trabalhos sobre criminalidade. Cidade do Vício é narrado num estilo semidocumentário vigoroso, mostrando como a própria população se uniu para limpar a cidade de Phenix, no Alabama. Fibra de Valente baseia-se num personagem real, o xerife Bufford Pusser, de um county do Tennessee, cuja arma era um porrete (e foi refilmado com Dwayne Johnson). Karlson colocava na telas a América interiorana, profunda, que sempre foi conservadora – e até reacionária. Quanto menor o orçamento, melhor ele se saía, o que não significa que filmes como os de Matt Helm não tenham valor. Karlson dirigiu o primeiro e o último. Em Arma Secreta – The Wrecking Crew, no original -, Dean Martin vai à Dinamarca na caçada a um traficante de ouro que pode destruir a economia mundial. Sharon faz a atrapalhada guia do agente. Tem movimentadas cenas de lutas, para as quais foi treinada por um ás das artes marciais, Bruce Lee. Conta a lenda que Sharon e Roman Polanski, com quem vivia, alojaram Bruce em sua casa, não me lembro se em Londres ou na Suíça, para prosseguir com o treinamento. É um filme cheio de belas mulheres empoderadas – Sharon, Nancy Kwan, Elke Sommer, Tina Louise. E por que estou lembrando isso? Não apenas pelo Tarantino. No canal Sony, à meia noite deste sábado, vai passar o Arma Secreta. E amanhã, no mesmo canal e horário, tem outro filme de Phil Karlson, mas aí sem Sharon Tate. Sangue de Pistoleiro é western. Van Heflin cria os filhos para serem homens de bem, mas Tab Hunter e James Darren trilham caminhos distintos e vão parar em campos opostos da lei. Boa oportunidade para se falar de um diretor considerado ‘pequeno’, mas que foi grande.