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Pesadelo de um sedutor

Luiz Carlos Merten

20 de janeiro de 2014 | 13h13

Muito interessante a matéria que saiu ontem no Aliás, Pesadelos de Um Sedutor. Logo após a cerimônia de premiação com o Globo de Ouro especial – que Woody Allen não foi receber -Ronan Farrow, um de seus filhos adotivos com Mia Farrow, tuitou confirmando o assédio de Woody a sua irmã Dylan. No começo dos anos 1990, a defesa do Woody no complicado processo de separação de Mia, alegava que o abuso havia sido forjado pela despeitada Mia para azucrinar o homem que a trocara pela filha adotiva, Soon-Yi Previn. Nem o finado Nelson Rodrigues imaginou cenas tão escabrosas. Anexadas ao processo foram as fotos pornográficas que Woody fez de Soon-Yi e que deixou no móvel perto da lareira, com toda certeza para que Mia as visse. Álbum de Família, o de Nelson Rodrigues e o de Tracy Letts, atualmente em cartaz, são fichinha perto. Em novembro, na Vanity Fair, a própria Dylan, que hoje se chama Malone, confirma que foi molestada e há registro de que Woody, há 20 e tantos anos, intensificou a terapia porque estava experimentando um interesse anormal – uma obsessão? – pela menina. Quer dizer, então, que não era despeito de Mia Farrow? Confesso que toda essa história mexe muito comigo, até hoje, mesmo sem afetar minha admiração pelos grandes filmes que Woody Allen continua fazendo. Mas, se volto ao assunto, é por causa da matéria de Jessica Winter no Aliás. Um fantasma do passado volta a assombrar Woody. Interessou-me, principalmente, o parágrafo final, em que Jessica exprime um ponto de vista que compartilho (e que agora me arrependo de não haver colocado em meus textos sobre o filme). Desde que vi Blue Jasmine pela primeira vez – e já foram quatro, até agora -, me bateu que Woody estava acertando contas com Mia Farrow por meio da personagem de Cate Blanchett. Ela faz a mulher do financista corrupto, que silencia – finge que não sabe nada – sobre as atividades do marido. Quando ele a troca por outra, Cate o entrega ao FBI. Faz o certo, pelo motivo errado, e isso gera o ressentimento do filho dele, que rejeita Cate. Meryl Streep concorreu a melhor atriz de comédia no Globo de Ouro. Cate foi indicada para melhor atriz de drama. Fui dos que reclamaram da divisão de gêneros, mas tenho de admitir. Blue Jasmine pode ser uma comédia, mas como é de Woody Allen tem matizes. E aquele final é puro drama.

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