Persona grata em Berlim, non grata em Cannes
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Persona grata em Berlim, non grata em Cannes

Luiz Carlos Merten

09 de fevereiro de 2014 | 15h13

BERLIM – Já escrevi no meu texto para a edição de amanhã do Caderno 2, mas antecipo para vocês. Por mais que goste da Mostras Aurora, em Tiradentes, há um xiismo que me bate nos nervos. Mercado e marketing são palavras demonizadas como inimigas do cinema de autor. Conversei com Karin Ainouz sopre isso. Essa novíssima geração dá a impressão de se esconder, de viver com medo. O cinema de autor tem seu nicho – Woody Allen, Michael Haneke, Pedro Almodóvar. Todos sabem muito bem o que representam o mercado e as estratégias de marketing. Mas, claro, ninguém é mais marqueteiro do que Lars Von Trier, e ele, gostando-se ou não, é ‘o’ autor. Lars sabe criar o evento. Desde o incidente que levou à sua expulsão do Festival de Cannes – na coletiva de Melancolia, ele atacou Israel e disse que entendia Hitler -, Von Trier jurou que não daria mais entrevistas em grandes festivais. A versão integral de Ninfomaníaca Volume Um – com o corte do diretor, 25 minutos a mais – passou ontem na Berlinale. O cineasta realmente não foi para a mesa de debate com sua produtora (e elenco), mas participou do photocall. E como ele se deixou fotografar? Usando uma camiseta preta que ostenta, sob a marca da Palma de Ouro (de Cannes), a frase ‘Persona non grata’. A foto deve correr mundo, e será uma provocação para Cannes e o pobre Gilles Jacob, que bancou sua carreira, selecionando todos os seus filmes para o maior evento de cinema do mundo. Se existem duas coisas que Von Trier sabe fazer são – 1) filmes; 2) se promover. Queria aproveitar o horário de Ninfomaníaca Volume 1 para ver algum filme de outra seção, mas não resisti. As cenas de sexo ficaram mais contextualizadas, todo o filme tem mais densidade e só cresce a partir daquele momento com Uma Thurman. Mal posso esperar pelo Volume 2, que deve passar durante a semana. Muito linda a garota que faz Chartlotte Gainsbourg quando jovem – Stacy Martin. Uma, Christian Slater, Stellan Skarsgaard e ela bateram na mesma tecla – Lars Von Trier estabelece uma relação de confiança tão grande com seu elenco que não se diz não ao que ele pede. “A gente faz tudo”, cravou Slater. A curiosidade foi que Shia Labeouf, interperlado sobre as cenas de sexo, ficou nervosinho. Levantou-se, disse uma frase de efeito e foi embora. A cena já deve estar no YouTube. Procurem, porque é divertida.

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