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Pequenas observações sobre Mãe!, Bingo e o Oscar (ainda!)

Luiz Carlos Merten

22 de setembro de 2017 | 09h39

Eu gostava de Javier Bardem – estou colocando no passado. Achava-o o máximo em Carne Trêmula, que também é o ‘meu’ Almodóvar preferido, e só depois vêm Julieta, Tudo Sobre Minha Mãe, Fale com Ela e A Pele Que Habito, do qual eu talvez seja o único admirador, mas sempre achei que é melhor andar sozinho do que mal-acompanhado. Na conversa com Darren Aronofsky na terça-feira – tive de esperar por todas as demais entrevistas, sob a promessa de ser a única individual que ele ia dar para impresso -, elogiei as mulheres do diretor. Jennifer Lawrence, Michelle Pfeiffer. Esse Darren não é mole. É um baita pegador. Minha colega Regina Cavalcanti, que vive navegando pelas redes atrás de novidades para o online, me disse que ele está ficando com ‘Jen’. Ele fica mas não dura, oferecendo esses papeis para elas. Mas, enfim, coloquei para Darren minha admiração passada por Bardem. E lhe disse que os Coen estragaram com o ator em Onde os Fracos não Têm Vez. Ele ganhou o Oscar (de coadjuvante), mas acabou como ator. Como Jack Nicholson em O Iluminado. Bardem sorri em cena, pode ser a coisa mais inocente, e o espectador já fica ouriçado – eu fico. Vai derrapar na curva. Loucura à vista. Plim-plim! Bardem só serve para fazer vilão de 007. Darren retrucou, dizendo que, no roteiro, o personagem do artista de Mãe! era muito mais monstruoso, e Bardem humanizou-o. Ah, é? Foi minha vez de retrucar – mas foi pelos Coen, não pelo Almodóvar, que você o escolheu, não? Darren riu, me deixou sem resposta. Na coletiva, havia dito que responderia a tudo, menos sobre o líquido amarelo que Jennifer toma – sua personagem – para conter as crises de ansiedade. Alguma droga popular em Hollywood por esses dias? O que é, o que é? Não posso dizer que gostei de Mãe! e até achei o filme pretensioso, mas não consigo achá-lo nulo e até respeito um maluco que dobra a máquina do cinemão e se arrisca a u8m fracasso monumental para impor sua visão sobre o estado do mundo. Velho, Novo Testamento, o Livro das Revelações, o Apocalipse. Humm… Não gosto de polemizar com Inácio Araújo, que deve ser o único cara cuja opinião me diz diz alguma coisa sobre cinema nesse Brasil, e não porque o leia regularmente, o que não faço. Mas tenho sempre imenso prazer em encontrar o Inácio e comentar as coisas com ele. Meias palavras nos bastam em nossas provocações. Dib Carneiro me leu ontem no jantar alguma coisa que Inácio escreveu, não sei se no blog, sobre a indicação de Bingo para tentar concorrer ao Oscar. É ótimo, e eu só não estou 100% de acordo com ele de que Era o Hotel Cambridge deveria ter sido escolhido porque acho que seria muito difícil convencer os votantes da Academia de que o filme de Eliane Caffé, um dos meus dez mais (garantidos) do ano, é ficção, e não documentário (nas bordas, pelo menos). Eu teria votado no Marcelo Caetano, Corpos Elétricos, outro dos meus dez +. F…-se, se o filme não entrasse. Já estamos acostumados mesmo. Isso posto, não torço contra Bingo, e até espero ser surpreendido. Mas o que quero, no fecho, é cutucar um pouco o meu amigo Inácio. Tentei ler o que ele escreveu sobre Mãe! – o concorrente estava aberto na minha cara. Parei. O velho recurso de que ‘mensagem’ se manda pela Western Union foi utilizado, acho que por Fritz Lang, há uns 60/70 anos. Não dá mais. Nessa fase de mediocrização e emburrecimento que vivemos, vale tudo, até ressuscitar a ‘mensagem’.

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