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Pequena história com moral

Luiz Carlos Merten

25 de abril de 2019 | 21h43

Eric Rohmer veio de uma família católica, burguesa. Não propriamente Rohmer, que era o pseudônimo que ele adotou como crítico e cineasta. Maurice Schérer, seu nome de batismo. No começo do ano, em fevereiro, quando passei por Paris a caminho de Berlim, a Cinemateca Francesa rendia uma homenagem a Rohmer, promovendo uma retrospectiva de seus filmes. Positif dedicou um dossiê ao tema. Jean Douchet fez um relato muito interessante, sobre como Rohmer/Schérer se sentia dual. Eles se encontraram numa igreja, na missa, e Rohmer fez- não sei se definiria como autocrítica. Disse para Douchet, seu velho amigo, que havia nascido rico e o cinema o tornou milionário. Aqueles filmes pequenos, autorais, que pareciam o biscoito fino de uma minoria, formaram uma plateia planetária e a Films du Losange, a empresa produtora de Rohmer, faturou os tubos. Não sei exatamente que moral estou querendo tirar dessa fábula, aliás, bastante realista, mas quero acreditar que ela comporta uma moral, e positiva. Estou precisando muito disso – pensamento positivo. A história vai ficar assim, inconclusiva. Um dia eu conto o que está ocorrendo comigo.

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