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Películas Clave

Luiz Carlos Merten

06 Janeiro 2015 | 09h51

Tenho feito viagens muito interessantes. Digo – interiores. Existe uma coleção de livros do grupo RobinBook. Vocês podem pesquisar em www.robinbook.com. O grupo opera em língua espanhola. Tem sedes em Barcelona, Cidade do México e Buenos Aires. Chama-se Películas clave. Filmes essenciais do western, policial, cinema erótico, de aventuras, de super-heróis, de musical, de guerra, de espionagem. A partir de uma lista de filmes básicos de cada gênero, a coleção desvenda diretores, atores, tramas e anedotas de bastidores. Películas Clave del Cine de Espias, de Xavier Pérez, é o volume que tenho à mão. Matt Damon (Bourne) ilustra a capa numa foto colorida, outras três fotos menores, em P&B, mostram Greta Garbo (Mata Hari), Sean Connery (007) e Cary Grant (Intriga Internacional). Abro uma página ao azar – 168, El Factor Humano, de Otto Preminger, 1979. Em meados dos anos 1960, Preminger fizera sua obra-prima – In Harm’s Way/A Primeira Vitória, com John Wayne e Patricia Neal. A cena final, quando Rockwell Torrey desperta no hospital, descobre que sua perna foi amputada mas Patricia está ali ao lado é das mais belas do cinema. Há um consenso crítico de que Preminger se acabou rapidamente, despencando do topo para obras medíocres e malfeitas como Skidoo e Dize-Me Que Me Ama, Junie Moon. Lembro-me agora que Mauricio Gomes Leite amava Junie Moon e colocou o filme na sua seleta lista de cinco melhores do ano de 1970. Num mundo que se superficializava e valorizava acima de tudo a beleza, ele viu no Preminger a revolução dos tortos, dos aleijados, dos deformados, dos excluídos. Uma espécie de reinvenção de Freaks, o cult de Tod Browning? Tenho, como disse, viajado nesses livros. O caso de Preminger. Cada vez mais existem críticos que fazem a revisão de sua fase final e descobrem coisas. Xavier Pérez define O Fator Humano – ‘Glacial adaptação do romance de Graham Greene que disseca sem piedade a desolada vida interior dos agentes do serviço secreto.’ Revisa cenas, conta histórias. É uma pena que uma coleção dessas não saia no Brasil. Não creio que seja o único cinéfilo a desfrutar dos prazeres que ela proporciona, com sua ‘mirada’ sobre grandes (e pequenos) filmes que não cessam de nos, ou de me surpreender.