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Paul Walker

Luiz Carlos Merten

01 de dezembro de 2013 | 15h19

Tenho uma amiga – coroa, mas bela – que vive dizendo que pendurou as chuteiras.  Mas R. sempre vive dizendo que abriria uma exceção se Paul Walker cruzasse seu caminho. Não é a única. Gente de todos os sexos sempre arrastou um caminhão pelo parceiro de Vin Diesel na série Velozes e Furiosos. Estava em casa, hoje de amanhã, quando trocou o telefone e era o pessoal da rádio Estadão querendo marcar comigo para falar do ator que morreu num acidente. Quem, perguntei? Era ele. O curioso é que estava em casa vendo Flores de Aço. Estava de saída – quando estou em São Paulo, venho sempre ao jornal no domingo para fazer o destaque de TV -, mas dei uma zapeada, o filme de Herbert Ross estava começando e eu pensei comigo ‘Vou ver um pedacinho’. Afinal, todas aquelas estrelas – Sally Field, Shirley MacLaine, Olympia Dukakis, Dolly Parton, Daryl Hannah… Todas elas e a jovem Julia Roberts, ainda no início de sua trajetória. Não arredei pé, vi até o fim e estava justamente na parte dolorosa – Julia está em coma e o marido, Demott Mulroney, assume o peso da decisão de desligar os aparelhos que a mantêm viva. Voltei ao filme me sentindo surreal, vendo uma morte fictícia enquanto absorvia a experiência de uma morte real. Entrevistei Vin Diesel e Paul Walker, justamente por causa de Fast and Furious, o quinto filme, supostamente passado no Brasil, mas que foi feito predominantemente na Costa Rica. Achei-o muito bacana, um cara de bem com a vida e consciente do próprio carisma, mas que não era só do esporte, não. Paul Walker havia fundado uma ONG, a Reach Out Worldwide, usando seu dinheiro e prestígio para ajudar pessoas em dificuldades ao redor do mundo. Dizia que era uma forma de compartilhar o muito que a vida lhe havia dado. Disse que dirigir loucamente era coisa de cinema, que na vida era um motorista responsável, mas admitia ser viciado em adrenalina e confessou que seu passatempo preferido era alimentar tubarões em mar aberto. Como? Walker explicou – dizia que havia um componente de risco, mas seus amigos e ele procuravam tornar a atividade a mais segura possível. Paul Walker completou 40 anos em 12 de setembro. Nasceu no mesmo dia que eu, outro virginiano nesse mundo de Deus. Cheguei no jornal e fiz uma rápida busca na internet. O sexto filme da franquia, grande sucesso no Brasil, termina com um avant-trailer mostrando o vilão do sétimo filme, Jason Statham. Queria saber se o sétimo filme foi feito, se foi finalizado. Creio que sim, porque no ImDB há uma informação de que está em pós-produção. Se não tiver sido concluído, será um problemão e tanto para o diretor Justin Lin. Paul Walker morreu no Porsche de um amigo, que explodiu enquanto participavam de um evento beneficente – justamente da Reach Out Worldwide. O estado do carro é lamentável. Não deve ter sobrado muito dos pobres caras. Foi ontem à tarde em Los Angeles, pela diferença de horário à noite, no Brasil. Paul Walker ganhou um monte de prêmios, mais pela estampa e dinamismo, em filmes de ação, que por algum grande talento. Não se esqueçam de que houve um ano em que ele foi o homem mais sexy do mundo para a People. Muitos dos prêmios, permitam-me voltar a eles, foram MTV Awards, mas achei curioso que, há dez anos, tivesse recebido um tal Teen Choice Award de melhor química – a dele com seu carro. Confesso que esta semana fiquei muito abalado com o acidente com o guindaste no Itaquerão. Aqueles dois caras que morreram estupidamente – um dentro do caminhão, o outro dormindo, numa cochilada após o almoço – mexeram comigo. Fiquei remoendo sobre o sentido da vida, que porra é essa. No caso de Paul Walker, pode-se dizer que ele tomava seus riscos e, de tanto brincar com fogo, acabou queimado. É verdade, mas era, ou assim me pareceu, um cara do bem. Merecia ficar velhinho, surfando no Havaí, onde mora sua filha (com a mãe). Encerro o post, para não ficar melodramático. Mas que dó, gente, que dó. Paul Walker, só para concluir, fez poucos filmes, digamos, autorais. Mas ele estava em A Conquista da Honra, de Clint Eastwood, que prefiro à segunda parte do díptico, Cartas de Iwo Jima. Vou ligar para minha amiga R., que deve estar se sentindo viúva, sem nunca ter tido a ventura de ser a mulher do gostoso que ainda deixava seus hormônios em ebulição.

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