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Paul Schrader

Luiz Carlos Merten

01 de outubro de 2013 | 09h45

RIO – Estou postando da lan house no metrô da Cinelândia. Não fui às redação do Estado para não perder tempop. Daqui a pouco, me apanham para uma visita a set e algumas ruas aqui, ao redor, foram fechadas, o que promete outro dia ‘quente’, talvez. Fiz ontem o debate de O Homem das Multidões, e prometo voltar ao filme de Marcelo Gomes e Cao Guimarães. José Carlos Avellar, que me conhece mais que Rodrigo Fonseca, me havia dito que era árduo, mas eu ia gostar. Antes do debate, entrevistei Paul Schrader, homenageado do festival. Havia visto The Canyons, que achei bem interessante. Falamos de tudo. Brett Easton Ellis, Lindsay Lohan, James Deen. O filme é sobre o sexo da geração internet, e nesse sentido difere bastante do olhar de Schrader sobre a indústria pornô em Hardcore – O Submundo do Sexo. É um diretor de que gosto. Seus personagenms são colhidos numa espécie de armadilha. O poderoso Deen diz na abertura de The Canyons que confia em Lindsay, mas não é verdade. Todo o filme trata das maquinações de um homem que se sente traído, e quer se vingar. Há um inocente, um jovem, no centro desse jogo, como Richard Gere em Gigolô Americano, o ‘meu’ Schrader. Ele me falou sobre sua trindade – Bresson, Dreyer e Ozu. Relatou o imnpacto que Pickpocket teve sobre ele e, anos masis tarde, O Conformista, de Bernardo Bertolucci. São seus filmes faróis. Falamos da ruptura com Martin Scorsese – deixaram de filmar juntos, Schrader de escrever para ele, para permanecerem amigos. E ‘Paul’ me disse uma coisa interessante – ‘Marty’ virou uma instituição, tirem as conclusões que quiserem. The Canyons foi feito num sistema cooperativo, por um valor em torno de US$ 500 mil. Valeu como experiência, mas Schrasder não acredita que vá fazer outro filme desses. Foi duro converncer Lindsay a contracenar com um astro pornô, mas elas terminou coproduzindo o filme. São dois universos que tentam se ignorar. Foi mais duro convencer James Deen a fazer uma cena de sexo com outro homem. Eles se beijam, o carinha faz sexo oral nele, sob o olhar de Lindsay, e super-James gosta da coisa. ‘I’m fucking straight, man’, bradava Deen. Schrader foi franco – sabia que tinha de mostrar o dick de Deen. A forma como o faz é bem sugestiva. Como ele disse, filme barato, em interiores, tem muita conversa. Ele tem longos planos ‘musicais’, com travellings sem cortes, por uma questão de ritmo. Adorei o velho. Lá pelas tantas, ele queria saber onde estava o gravador. ‘Are you fucking kidding me?’ – queria saber como eu conseguiria me lembrar de nossa conversa para a entrevista. Confesso que saí dali convencido de que preciso rever Mishima, mesmo que não tenhamos falado sobre o filme.

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