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Pátria que pariu!

Luiz Carlos Merten

03 de agosto de 2019 | 23h53

De volta a casa, a São Paulo. Adorei meus três dias no Cine PE, e depois até me deu uma dor de não ter ficado para a última noite da competição, mas, se tivesse ficado para ver os filmes de sábado, ia querer ficar para os debates, no domingo pela manhã e, afinal, amanhã tem muita coisa ocorrendo aqui em São Paulo. Começa o Festival de Cinema Judaico – para convidados -, quero ver o Macunaíma de Bia Lessa, até porque, na semana que vem, estreia o Auto da Compadecida de Gabriel Villela e, logo em seguida, tem Gramado, o Cine Ceará, que está insistindo tanto para que eu vá (nunca fui). Já contei, pela manhã, como fiquei impressionado com o documentário de Eliza Capai, Espero Tua (Re)Volta, que estreia dia 15 nos cinemas. O movimento de ocupação de escolas em São Paulo, a voz da juventude. Marcela, Nayara, o Koka. A violência da repressão policial. A ignorância de uma classe média focada no seu interesse – o motorista que avança com seu carro contra a multidão de estudantes, a dona no seu carrão que protesta porque quer chegar ao trabalho, o brutamontes que quer bater na garotada que emperra seu caminho. Essa gente de ‘bem’ que não quer saber do outro foi quem deu a guinada à direita nesse País. Bolsominions, pátria que pariu como diz o garoto. Foi importante para mim ter estado no Recife, participar dos debates, assistir às sessões do São Luiz. Hoje, depois dos debates da manhã e do almoço, antes de ir para o aeroporto, me sobravam umas duas horas. Peguei um táxi para ir ao centro e o motorista me falou da nova via costeira que atravessa Brasília Teimosa, que agora é Formosa. Passei por essa parte do Recife, no Pina, que não é necessariamente turística, mas me pareceu muito vital. Espero ainda estar por aqui e voltar no ano que vem para ir ao bar do Peixe, arrastar o Ismaelino, o Vítor e o Robledo, que foram bons companheiros neste 23º Cine PE. Tão necessário debater a m… em que estamos, buscar alternativas, transformar a resistência em formas efetivas de luta. Mas é tão bom, também, sentar-se e rir com amigos, conhecer pessoas novas. A vida segue.

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