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Passou! (O famigerado primeiro semestre) E eu quero falar de Copa e Dedo na Ferida

Luiz Carlos Merten

01 Julho 2018 | 19h02

Primeiro dia do segundo semestre. Estou conseguindo escrever esse post passado das 6 da tarde. De manhã, tive a fisio, substituída por gelo, porque a perna voltou a inchar. Depois, o jogo, com aquela atuação épica do goleiro da Rússia, as matérias para a edição de amanhã do Caderno 2, o jogo da Croácia e da Dinamarca, também decidido nos pênaltis, e eram dois goleiros tão poderosos que me eximi de torcer. Deu a Croácia, que é capaz de dar um baile na Rússia, vamos ver. Ontem, torci pela Argentina – vão me acusar de antipatriota – e foi uma decepção. Quem foi mesmo que cometeu aquela infração no Mbappé quando ele não tinha mais ângulo para fazer gol, levando ao pênalti cobrado por Griezmann? E no final, nos acréscimos, aquele bate-boca que esfriou o jogo quando o último lance era da Argentina diante do gol adversário? Pqp. Se o Brasil fizesse duas m… dessas seria de cortar os pulsos. Um parèntese rápido. Estou aqui otimista que o segundo semestre que começa hoje será melhor para mim porque o primeiro foi jogo duro e não sei se aguentaria outro. Achava que não merecia e tomei na cabeça. Também, quem mandou confiar? De volta ao esporte, estou adorando essa Copas. Jogos épicos, surpresas. E os campeões que se despedem. Alemanha, Argentina, Espanha. Confesso que só perdi o jogo que eliminou Portugal e o RC7 porque queria ver o documentário de Sílvio Tendler e era o horário que tinha. Me planejei para ir ao Cinesesc e descobri que, na sexta e no sábado, Dedo na Ferida foi substituído pelo mais inócuo Oh Lucy!, o que me obrigou a correr – de táxi, por causa da perna – ao Shopping Frei Caneca para finalmente ver o filme. Sílvio Tendler é guerreiro, anterior a essa cultura do documentário que se estabeleceu no Brasil e no mundo, mas nos seus tempos heróicos ele fazia milhões de espectadores – milhões! – com Os Anos JK, Jango e O Mundo Mágico dos Trapalhões e hoje está sendo tirado de circuito. Éramos (bem) menos de um terço na sala 7, uma das menores do complexo, para ver o filme que propõe a viagem de um desses trabalhadores do Rio que gasta horas e horas para chegar ao local de trabalho, onde ganha um salário que não o sustenta. Durante as paradas, nas estações assinaladas em gráficos – e o trem só vai enchendo -, especialistas em economia e política, o cineasta Costa-Gavras, o doutor em geografia urbana David Harvey, a catedrática espanhola Maria José Fariñas, o ex-ministro das Finanças do governo Tsipras, Yanis Varoufakis, e o professor da Unicamp Guillerme Mello refletem sobre o estado do mundo e o que obriga pessoas como nosso podólogo no trem (é a profissão dele) a sacolejar tanto para ganhar quase nada. Sílvio Tendler não está fazendo jornalismo. Não busca ouvir o outro lado. Faz um cinema militante, político, mas não partidário. O que é a financeirização, como financiamos os bancos e em que medida o neoliberalismo pode ser antidemocrático. O filme é uma porrada. Dei notícias, talvez indicações. Estou indo ao teatro. Quero ver o Nelson Rodrigues dirigido por Luiz Artur Nunes no Teatro Augusta. E amanhã teremos Copa. Não vou escrever Brasi-il porque isso evoca o famigerado 1970.