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Paris!

Luiz Carlos Merten

03 de fevereiro de 2017 | 21h20

Mesmo estando só esse eu me sinto feliz…Já falei tantas vezes dessa letra de música que quem me segue no blog já sabe. Sim, estou em Paris. Cheguei à tarde, mas, como estou três horas à frente, cheguei por volta do meio-dia daí. Tinha uns textos para enviar e fiz meu primeiro duplo parisiense – fui ver Moonlight – Sob a Luz do Luar e tinha um monte de programas para ver, mas não resisti. Fui rever Bunny Lake Desapareceu, a obra-prima noir de Otto Preminger. Sei quew um monte de gente cultua Laura, que é maravilhoso. mas Bunny Lake, mesmo não sendo um noir, digamos típico, é coisa de gênio. E Moonlight! Mahershala Ali TEM de ganhar o Oscar de coadjuvante. Se não existiszse, ele teria de ser inventado. Amo a cena em que ele se ajoelha pára pedir a mão de… Em Estrelas à Luz do Tempo, mas o traficante de Moonlight…Jesus! O filme segue, au fil du temp, a vida de um garoto. Divide-se em três partes, e em cada um,a o personagem tem um nome (e é interpretado por um ator diferente). Menino, é Little, adolescente, é Chiron e, adulto, é Black. A própria mãe drogada discrimina o filho e diz que ele é ‘bixinha’. Little só encontra tolerância em Juan – Mahershala faz um cubano – e a mulher, Teresa, Janelle Monae, que também está em Estrelas Além do Tempo. Adolescente, e sempre hostilizado na escola, Chiron tem um momento de intimidade com o amigo Kevin. Mais tarde, e para se afirmar no mundo, ele vira o traficante Black. E reencontra ‘Kev’. Anos atrás, gostei muito de Praia do Futuro, de Karin Ainouz – continuo gostando -, mas me enervei com Wagner Moura porque, afinal, no imaginário do público ele é o Capitão Nascimento – ou será agora Pablo Escobar? – e o Wagner, interpelado sobre a homossexualidade de seu bombeiro ficava falando de autoconhecimento e solidão. , me parecendo que para fugir ao que batia tão gráfico na tela Lembro-me de ter sido duro com ele. Autoconhecimento de cu é rola. O cara quer dar, assume. Pois agora, contando a história desse personagem tripartite que sabe/teme que é gay, Barry Jenkins realmente fala de autoconhecimento e solidão. Só vendo para acreditar nas cenas do reencontro de Black com a mãe, Paula/Naomie Harris, e com Kevin. Nunca vi um filme tão delicado ao mostrar o toque – entre mãe e filho, entre dois homens. Por mais que goste de La La Land, gostei mais ainda de Moonlight, mas o filme não vai ganhar o Oscar. Espero ter de me retratar, mas não creio que será necessário. Tomei um choque porque, a exemplo de Felizes Juntos – e o filme de Barry Jenkins tem muito da sensualidade do cinema de Wong Kar-wai -, Caetano está na trilha com Cucurrucucu Paloma. Já passei dos meus 70 anos e o cinema ainda consegue me surpreender. Aleluia! E amanhã vou fazer outro duplo. No Champô, aqui pertinho – estou na Rue Victor Cousins, no 5ème -, uma retrospectiva de Akira Kurosawa exibe, às 11 da manhã, Sanjuro – que suspeito ser melhor que Yojimbo, e vou poder tirar a prova -, emendando, no Reflet Medicis, ali do lado, com Le Grondement de la Montagne, de Mikio Naruse. É por isso que, mesmo sozinho, me sinto feliz – em casa – em Paris. Onde mais poderia ver esses filmes no cinema? E a Elaine Guerini, que também, está aqui, não vai precisar fazer muita força para me convencer a ver, amanhã à noite, no teatro, Berenice Bejo.

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