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Paris!

Luiz Carlos Merten

16 de fevereiro de 2015 | 10h14

PARIS – Cá estou, desde ontem, na minha eterna escala, antes e depois de Berlim, Cannes e, este ano, espero que também Veneza. No ano do meu 70.º aniversário, gostaria de voltar ao Lido (como uma despedida?), mas Lúcia e Dib me cobram uma grande festa e isso só será possível se a data não bater. Acrescento que, na minha cabeça, se eu for, o Zanin continuará com sua cobertura e eu irei por minha conta, para alimentar o blog e, talvez o online. Feita a ressalva – importante -, quero dizer que Paris está uma festa – quando não? -, ensolarada e sempre com muitos filmes para se (re)ver. Ontem, revi – Misfits, Os Desajustados, de John Huston, e apesar do rei (Clark Gable), de Marilyn e Montgomery Clift, os momentos de que mais gostei foram com Thelma Ritter, a melhor coadjuvante do cinema. Tenho certa implicância com Marilyn, vocês sabem. Ela é fake até quando estás sendo sincera e creio que só consegue ser sincera sendo fake. The Misfits foi o filme talvez mais midiatizado de sua época. A Magnum enviou grandes fotógrafos para documentar a filmagem, em Reno, e foram editados livros belíssimos de fotografias. O preto e branco é suntuoso, os personagens dizem aquele texto de Arthur Miller, mas são na essência hustonianos. Losers. Gostei de rever na tela grande, mesmo que não seja um grande filme. Vi também um documentário que me tocou e que o Amir Labaki devia levar para o É Tudo Verdade. Spartacus & Cassandra, de Ioanis Nuguet, sobre dois irmãos roms (ciganos), que vivem na rua com os pais e que o Estado quer tirar da tira da guarda deles, buscando uma família para adoção. O diretor quis fazer seu filme do ponto de vista das crianças. Isso significa não exatamente colocar a câmera à altura do seu olhar, como faria Howard Hawks, mas criar o espaço para a expressão de Spartacus e Cassandra. É um filme bonito, triste. Tem uma cena em que o garoto diz que já cansou de ver os pais na m… E ele, com senso de responsabilidade, se pergunta se não é pesado demais se tornar o pai de seus pais. Porque ele não quer renunciar aos seus para ter uma vida melhor, mas desajustado, como um personagem de John Huston, também não pode ficar eternamente preso a essa família, a esses pais que já desistiram de lutar e se conformaram de ser invisíveis. Os dois filmes dialogam tanto, Os Desajustados e Spartacus & Cassandra, que eu fiquei pensando no sexto sentido que faz com que, entre tantos filmes para ver na capital da cinefilia, eu tenha escolhido dois tão próximos. Paris! Com o sol me chamando, vou para a ruas. Mas não por muito tempo. Daqui a pouco quero começar a ver os filmes do dia… Antes disso, sugiro que leiam, no online, meu texto sobre 50 Tons de Cinza. Como um Santo Expedito da crítica, paladino das causas perdidas – são as melhores -, lá estou eu defendendo o filme de Sam Taylor-Johnson, que achei (muito) interessante.

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