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Paratodos!

Luiz Carlos Merten

08 de junho de 2016 | 10h45

Tirar uma foto de corpo inteiro? Não dá, aqui todo mundo falta um pedaço. Não agarrei a oportunidade porque não tenho mãos. E o cego – Cara, não vi nada do terremoto. Há um humor politicamente incorreto que percorre Paratodos, o belo documentário de Marcelo Mesquita sobre atletas paralímpicos. E quem ri, ou faz rir, são os próprios atletas. Integrei ontem, levado por Paula Ferraz – obrigado, Paula – o grupo que viu o filme, à tarde, numa sessão especial na O2. No dia 21, haverá um megaevento de lançamento de Paratodos. O filme é uma realização da mesma empresa produtora de Infância Clandestina, lembram-se? Estreia nos cinemas e, depois, vai para a rede de ensino estadual. A pergunta que não quer calar. Por que o Marcelo, um cara jovem, bonito e inteiro, quis fazer um filme sobre aquelas pessoas? Perguntei na cara dura, e ele me deu uma resposta tão íntima, tão sincera, que me tocou. Seu pai teve uma doença que deixou sequelas graves e ele viu todo mundo, os amigos, se afastarem. Percebeu quanto dói o preconceito. E aí viu, na TV, nos Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012, aqueles caras com lâminas, ao invés de pernas. Viu um brasileiro que ainda era anônimo, Alan Fonteles Cardoso Oliveira, derrotar o favorito, Oscar Pistorius. Paratodos começou a nascer ali. O filme acompanha atletas paralímpicos em provas de corrida, canoagem, natação, futebol. Uns não enxergam, outros são paralíticos, amputados, uma atleta sofre de uma doença degenerativa. Marcelo mostra o esforço pessoal, a superação diária e também os bastidores desse mundo, que não diferem das disputas e maracutaias do mundo dos atletas convencionais (é assim que se diz?). O que talvez comece como um desejo de inclusão social de cada um, ou do grupo, vira o desafio de superação de qualquer atleta, sempre querendo aprimorar, superar sua marca. O pai de Marcelo não chegou a ver o filme – que dó! Mas ele teria gostado, cara. Chorei vendo Paratodos, e depois me deu uma puta raiva de mim. Que m… Chorar por quê? Também me falta um pedaço. Não da mesma forma, mas conheço aqueles sentimentos. Não sou coitadinho – nem eles. Coitadinho é quem desiste. E nós não desistimos. Paratodos me produziu uma euforia. Aquela gente sem mãos, sem pernas amarrada de qualquer jeito na bandeira do Brasil. O orgulho de ser brasileiro. De honrar esse País que, às vezes – muitas vezes -, não merece o esforço, com essa elite que não tem a mínima cidadania, só a que lhe convém. Fiquei tão envolvido que perdi a isenção. Vou ter de ver de novo, e de novo. Não consigo dizer nesse momento quão bom é Paratodos, como experiência estética. Mas a experiência humana me tocou profundamente. Marcelo, ‘tu’ é f…

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