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Para o Pedro, que partiu aos 27 anos

Luiz Carlos Merten

05 de janeiro de 2020 | 21h29

De perto ninguém é normal, quem não sabe disso? Mas de Pedro Rocha tenho de dizer que só conheci sua natureza mais afável. Trabalhamos juntos aqui no Estado, e coincidência – compartilhamos algumas premiações do Globo de Ouro. Como estou aqui na redação, neste domingo, fazia a parte de cinema. Pedro, a de séries, que o prêmio da Associação dos Correspondentes Estrangeiros de Hollywood também contempla. Com a cobertura de séries, Pedro especializou-se em cultura das diversidades. Música, shows. Descobria artistas alternativos, sabia tudo de trans, era um mundo que ele dominava e às vezes ríamos porque eu lhe pedia lições de correção. Como é que se diz, Pedro? A primeira vez que ouvi falar de Pabllo Vitar foi através dele. Da Pabllo. Em que mundo você vive?, ele me perguntava. Vivo tanto no meu mundo, longe das redes sociais, que, somente hoje, no domingo, descobri que Pedro morreu de parada cardiorrespiratória na sexta-feira, 3. Tinha 27 anos, uma vida pela frente. Perdemos aqui no Caderno 2, no ano passado, Camila Molina, mas a morte dela foi anunciada. A do Pedro veio de repente. Disseram-me que ele estava sozinho. Era filho único. Mal consigo imaginar a dor dos pais. Eu fiquei mal. Lembrei-me do Gabaju, Gabriel Bastos Jr., que também morreu tão novo, e há tanto tempo, outro talento do C2. O Globo de Ouro vai ficar menos divertido sem as observações do Pedro.