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Pacto! Canto e dança na off-Broadway paulistana

Luiz Carlos Merten

18 de agosto de 2018 | 12h59

Mesmo não gostando do estilo Broadway dos musicais da dupla Moëller e Botelho – meu editor os adora -, não sou louco de negar que o musical se tornou uma indústria do entretenimento no Brasil. Toda semana estreia um, e grande. Depois de ver Um Panorama Visto da Ponte, descobri que o diretor Zé Henrique de Paula, o mesmo de Urinal, estava com outro musical em cartaz – Pacto – e prometi vê-lo, o que fiz nesta semana. Pacto está em cartaz às quartas e quintas no Teatro Porto Seguro. Fomos ver na quinta, Dib Carneiro e eu. Amamos. Eu confesso que fiquei siderado. Já temos a nossa off-Broadway. Um só cenário, dois atores/cantores, Leandro Luna e André Loddi, um pianista, Andrei Presser, o texto, as músicas e letras de Stephen Dolcinoff. A história de Leopold e Loeb cantada e coreografada. Pulsões de amor e morte, homoerotismo. Já vi muitas versões da história dos assassinos do século – passado – e não exagero se disser que a de Zé Roberto foi a que mais me arrebatou, e arrebentou. Recapitulando. Alfred Hitchcock, Festim Diábolico/The Rope. O plano contínuo, o baú com a vítima, a frieza de Farley Granger, a instabilidade emocional de seu parceiro, a suspeita de James Stewart, o suspense. Richard Fleischer, Estranha Compulsão, o crime, o julgamento do século e Orson Welles como o advogado que conseguiu absolver a dupla da pena de morte. Tom Kalin, Swoon, Colapso do Desejo, a ênfase na homossexualidade da dupla de assassinos – Loeb, que, a partir da leitura de Nietszche, tenta cometer o crime perfeito, como ‘arte’, para provar sua superioridade e arrasta o amigo/amante, Leopold. Barbet Schroeder, Cálculo Mortal, a policial Sandra Bullock, que investiga os amigos Ryan Gosling e Michael Pitt como suspeitos de matar uma colega na high school. Na versão musical, a história vira flash-back quando o sobrevivente Leopold, 34 anos após o crime, passa pelo promotor de justiça que avalia seu pedido de liberdade condicional. Loeb morreu, foi assassinado na cadeia, e Leopold faz uma revelação que recoloca os fatos em perspectiva. De novo, como em Um Panorama, reaparece o fantasma da delação e das provas plantadas. Um espelho do Brasil? Tudo isso cantado. Fiquei encantado, e com o trabalho de Leandro Luna, o Leopold, mais ainda.

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