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P… filme!

Luiz Carlos Merten

29 Outubro 2015 | 18h11

Não é nenhum que eu tenha visto na Mostra. Assisti hoje pela manhã ao novo James Bond, 007 Contra Spectre, que estreia na quinta-feira que vem, 5 de novembro. A rigor, o filme de Sam Mendes só tem um defeito. Para o tanto que se falou de Monica Bellucci como bondgirl cinquentona, é óbvio que ela aparece de menos – cerca de dez minutos, se tanto – numa produção de 150 (duas horas e meia). Sam Mendes conseguiu, e olhem que não sou grande fã de Skyfall. Irrita-me, no primeiro Bond dele, o que os outros amam – o vilão de Javier Bardem, obviamente clonado do que o ator interpretou para os irmãos Coen em Onde os Fracos não Têm Vez. Se já não gosto do filme dos Coen, e do Bardem (mesmo premiado) como Anton Chigurh, não há de ser do repeteco do papel que vou gostar. Mas Spectre é excepcional. Começa com uma cena espetacular de Dia dos Mortos na Cidade do México e tem perseguições de cortar o fôlego em Roma, nos Alpes, em Tânger etc. Só que o que faz de Spectre uma data não só na série, mas no cinema de ação, é outra coisa. A voltagem dramática, diria até trágica. Li em algum lugar que Mendes só aceitou fazer porque se impôs um desafio. Fazer o maior filme de James Bond. E é um filme rigorosamente de autor. Todo o seu cinema trata de relações familiares, de pais e filhos. Nesse sentido até passo a gostar um pouco de Skyfall, porque Spectre sai diretamente da morte de Judi Dench como M e ainda aprofunda o tom sombrio do 007 anterior. É a grande contribuição de Sam Mendes à série. Spectre dialoga com todos os filmes que Daniel Craig fez na pele do agente com licença para matar. E Mendes mostra como a democracia pode estar em perigo no super-informatizado mundo atual, uma crença que compartilha com o Christopher Nolan de Batman. O que esses caras estão fazendo – transformar fenômenos de massa em cinema de arte, autoral – é de tirar o chapéu.