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Outros (olhares)

Luiz Carlos Merten

31 de janeiro de 2019 | 10h02

Cá estou, praticamente na véspera da minha viagem para a Europa – Paris e, depois, Berlim -, encrencado, de novo. Deixei de ir a Tiradentes para não forçar a perna naquelas ladeiras, mas não adiantou. O joelho voltou a doer, a perna inchou. Fiz ontem ultrassom, porque Carlos, o físio, e Dr. Marcos suspeitavam de trombose e aí teria de ser internado. Não deu nada, mas hoje o Carlos levantou outra suspeita – tendinite – e lá vou eu, amanhã e sábado, antes do voo, para o choque elétrico. Minha perna encantou, socorro! Apesar das férias, tenho ido todo dia à redação do Estado. Hoje vou fazer forfait. Quero ver o Vice, e se estiver entrando, o que não tenho certeza, O Menino Que Queria Ser Rei, cujo trailer achei bem bonitinho. O Caderno 2 desta quinta tem duas matérias minhas, sobre o belo documentário de Márcio Debellian com Maria Bethânia, Fevereiros, e o longa da palestina Annemarie Jacir, Wajib. Embora estejamos, neste janeiro que se encerra, em pleno processo de Oscar, os melhores filmes que vi neste começo de ano vêm todos da mesma região da Terra – Oriente Médio e norte da África. Meu Querido Filho, do tunisiano Mohamed Ben Attia; Yara, do iraquiano Abbas Fahdel, filmado no Líbano profundo, cristão; e Wajib, que amei. Pai e filho, interpretados por pai e filho na vida, Mohammad e Saleh Bakri, cumprem a obrigação, o dever social, entregando pessoalmente os convites de casamento da filha e irmã. Um road movie urbano – em Nazaré. Conflitos familiares e políticos, velhos ressentimentos. Somos tão colonizados por Hollywood que me encanta ver esses filmes vindo de outras culturas, com outros olhares. Outros – vale lembrar que gostei muito do novo espetáculo do Grupo Galpão. Até por conta de andar escrevendo sobre teatro no blog, tenho lido um pouco sobre teoria. Mimesis, poiésis, techné. A plenitude do corpo do ator. A Poiésis como força criadora, como essência do agir. O comovente despudor de Teuda Bara rolando naquele palco e mostrando os seios. Uma mulher com aquele destemor – Bethânia, filha de Iansã – e Cristo escolhe trepar na goiabeira da ministra! Esse mundo não está só virado – está perdido. Taí Brumadinho para confirmar.

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