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Os reinventores (da imagem e do som)

Luiz Carlos Merten

17 de abril de 2015 | 00h55

Estou impossibilitado de fazer crítica do Vingadores 2 – A Era de Ultron porque assinei o embargo. É ridículo. O filme estreia na semana que vem no Brasil, na quarta-feira 22,na França, no dia seguinte aqui. As críticas só estão liberadas para dia 21. Não vou fazer a crítica (ainda), mas não resisto a postar algumas observações. F… a Disney. E a Marvel. O que me interessa é Joss Whedon. Em Nova York, na junket de Noite sem Fim, tive a biografia do produtor e diretor na mão, mas já havia comprado um monte de livros. Ficaria pesado, desisti. Até hoje me arrependo de não haver colocado o Muito Barulho por Nada, que ele dirigiu em 2012, entre os melhores daquele ano. Whedon pertence a uma confraria de ‘autores’ espetaculares – Peter Jackson, JJ Abrams, Christopher Nolan, Zack Snyder – que me interessa, e muito. Não consigo quantificar quanto gostei de Avengers 2, mas confesso que chorei a ponto de quase me desidratar. Um dos filmes mais interessantes que vi no É Tudo Verdade foi o Filme de Cinema de Walter Carvalho. Ele entrevista Bela Tarr, Ruy Guerra, José Padilha, Gus Van Sant etc. Gostei, emocionei-me (muito). Identifico-me totalmente com Bela Tarr quando ele diz que suas certezas da juventude se esvaneceram e hoje ele só tem dúvidas. Acho divertido quando ele explica seus planos-sequências – o maravilhoso Cavalo de Turim – dizendo que tem fobia pela edição, mas já não gosto tanto quanto ele vai falar sobre corte e montagem em filmes de grande espetáculo e tromba com Stanley Kubrick, por exemplo. Ruy Guerra é outro que me interessa muito, mas tem uma visão obtusa do cinema de autor. Para ficar na física quântica, que o move, invoco José Padilha, que também dá depoimento no filme e fala dos diretores que conseguem conciliar grandes investimentos/orçamentos e autoralidade. Fazer de forma autoral um filme barato e que ninguém vai ver é fácil – quer dizer, se o diretor/diretora sabe o que está fazendo, por que faz e se sabe fazer. Difícil é assaltar o mundo do capital e fazer cinema de autor usando códigos de massas. É o que fazem, sempre fizeram,, os grandes. Devo voltar aos EUA para a junket de Mad Max ainda neste mês. Dessa vez, compro o livro de Joss Whedon. A fragilização dos vingadores, a humanidade dos super-heróis e a destruição dos egos para que possam pegar juntos contra o vilão – Ultron. As cenas de Scarlett Johansson e Mark Ruffalo. O confronto de Paul Bettany com Ultron, que fala com a voz de Kevin Spacey. Bettany – tinha de ser ele – dizendo que se enternece com os erros da humanidade. Devo ser débil mental, mas chorei com a mesma intensidade com que chorei nos psicodramas do genial Orestes, de Rodrigo Siqueira, o segundo grande filme brasileiro do ano. Ia dizer ‘após’, mas na verdade é ‘com’ Casa Grande, de Fellipe Barbosa, que estreou hoje. Pqp, como diz Eduardo Coutinho na sua entrevista de Sete Visitas, que acabo de ver no É Tudo Verdade. Esses caras estão reinventando o cinema brasileiro com a turma de Tiradentes, assim como Joss Whedon e JJ estão reinventando a tradição do espetáculo hollywoodiano.

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