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Os ‘pequenos’ filmes que me fazem amar o cinema

Luiz Carlos Merten

20 de junho de 2013 | 14h11

SANTA FE, EUA – Embarco daqui a pouco para Dallas e, dali, para São Paulo, onde chego amanhã pela manhã. Fiquei aqui três dias e todos giraram em torno de Lone Ranger, mas tive tempo de dar uma volta pela cidade e conhecer os arredores – num daqueles jipes Kawasaki. Se tem adrenalina, eu gosto. Adorei a vertiginosa sensação de descer aqueles montes de pedras, um barato. Como estou imerso na leitura de Inferno, o novo Dan Brown, não fui muito ao cinema em Santa Fé.  Vi ontem 42, de Brian Helgeland, que conta a história de uma lenda do beisebol, Jack Robinson, o primeiro negro a integrar o Hall da Fama do esporte, em 1962. Até chegar lá, ele comeu o pão que o diabo amassou, enfrentando o racismo numa época em que o negro era, pejorativamente, chamado de `boy`. “Você não sabe seu lugar, rapaz?” Não creio que 42 seja daqueles filmes de que os críticos gostam, mas eu gostei de ver 42 e, no meu imaginário, fiz a ponte com Seabiscuit, a história de outra american legend. Num determinado momento, Jack pergunta ao empresário que dirige os Dodgers por que está fazendo aquilo, bancando sua carreira, quando todos estão contra (e sofrendo). Harrison Ford, que faz o papel, conta uma história. No passado, foi coach, treinador, de uma equipe universitária. O melhor jogador de sua equipe era um jovem negro que, justamente por ser negro, foi dispensado para que os branquinhos brilhassem. O cara nunca se recuperou. Nem Harrison Ford, por não ter feito nada. A culpa está no centro de 42. Emocionei-me.  É curioso, mas são pequenos filmes assim, não os grandes filmes de arte, que me fazem amar o cinema.

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