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Os números baixos de Leandro Hassum, Moacyr Góes na Ancine. O que uma coisa tem a ver com outra?

Luiz Carlos Merten

06 de abril de 2019 | 10h43

Estou há dias para fazer o post que vocês vão ler. Faço-o com certa tristeza. Chorar de Rir, a nova comédia de Leandro Hassum, está sendo um fracasso monumental. Como não assino o Filme B, não tenho números exatos, mas me falam entre 70 e 100 mil espectadores. Leandro, quando gordo, fazia milhões. Agora que emagreceu, deixou de ser engraçado? O público não o reconhece mais? Pessoalmente, achei Chorar de Rir bem interessante, e até autoral. Pode-se ver o filme a partir da complicada relação de comediantes com a crítica, que não os leva a sério (em geral), mas a história do humorista que quer reconhecimento e arrisca tudo, fazendo Hamlet, tem a ver também com o diretor Toniko Melo, que fez VIPs, com Wagner Moura. Aliás, o projeto veio de Toniko. Lembram? VIPs – um homem que não consegue viver com a própria identidade e assume a dos outros. Diversos nomes, em diversos meios. Sonha ser piloto de avião, e vai ser. Marcelo, seu nome original, tem parentesco com o Leonardo DiCaprio de Prenda-Me, Se For Capaz, de Steven Spielberg. Gostei, mas, pelo visto, não sou parâmetro para ninguém. O problema é que isso vai terminar dando m… Um filme caro, feito com dinheiro público, sem público. O que me leva a Moacyr Góes na direção da Ancine. Fiz uma pausa para pesquisar e li que foi indicado pelo Onyx (Dornelles Lorenzoni), ministro-chefe da Casa Civil do coiso. A Ancine tem estado na mira do governo, e o TCU aumentou a crise ao mandar a agência suspender as verbas para o audiovisual. Leio que, a partir de uma auditoria realizada em 2017, o TCU contesta o método de checagem de contas da Ancine e até coloca sob suspeita algumas produções assinadas por nomes de prestígio. A não liberação de verbas pode paralisar o cinema brasileiro e, nesse quadro, ainda leio – é verdade? – que corre na Justiça, em sigilo, um processo contra o ex-diretor da agência, Christian de Castro, que vem da era Temer, indicado em janeiro de 2018. Diretor de teatro e cinema, Moacyr Góes possui uma obra desigual, não necessariamente autoral. Filmes com Xuxa, Padre Marcelo, Angélica e Luciano Huck o definem como um diretor de ‘mercado’, e não dos maiores. Meus colegas da crítica, compreensivelmente, não têm muito apreço por ele, mas sou capaz de defender alguns filmes que fez – O Homem Que Desafiou o Diabo, Bonitinha mas Ordinária, em que seu irmão Leon Góes faz um Peixoto genial, o melhor que vi no teatro e cinema. Pergunto-me o que Onyx, ao bancar Góes, espera que ele faça na, ou da, Ancine? Tem coisa aí.