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‘Os Mercenários 2’

Luiz Carlos Merten

09 de setembro de 2012 | 13h39

A pergunta no início do post anterior deve ter soado esdrúxula a muitos leitores – Sylvester Stallone ou Kim Ki-duk? É que eu eu estava me perguntando sobre quem escrever primeiro. Prevaleceu o Kim Ki-duk, mas falo agora de Stallone e ‘Os Mercenários 2’. Imagino que um monte de gente vá ficar indignada – outros poderão gostar -, mas fui ver ‘Os Mercenários 2’ ontem à tarde, cobrado por leitores do ‘Estado’ que reclamavam a ausência de crítica do filme no jornal. Heitor, filho de meu amigo Dib Carneiro, já me havia dito que era melhor que o 1, por menos que isso signifique. Heitor está certo – o filme é melhor que o primeiro da série. Muito melhor. O novo diretor – o primeiro era do próprio Stallone -, Simon West, minimizou a participação de Jet Li e acrescentou Arnold Schwarzenegger, Jean-Claude Van Damme e Chuck Norris à lista dos ‘expendables’. Confesso que nunca tive muita paciência com Chuck Norris nem com seu herói ‘Braddock’, mas ele é ótimo na recriação de McQuade, o lobo solitário, que, por um filme, deixa de ser o exército de um homem só para se integrar, como diz, ‘à matilha’. Na trama do filme, Stallone e seu bando de velhos decartáveis são intimados por Bruce Willis a acompanhar uma garota chinesa na tentativa de resgate de ogivas russas que o vilão Van Damme quer vender no mercado de armamentos. Van Damme e seu lugar tenente são vilões completamente ‘do mal’. Escravizam a população de uma pequena cidade, matam sem dó e privam as mulheres dos maridos e filhos e por isso elas formam uma brigada especial para lutar com os velhinhos. O filme tem humor, chegando quase ao limite da paródia. Vi ontem no PlayArte Marabá e, em vários momentos, o público aplaudiu em cena aberta as frases (piadas?)  que remetem a Bruce Willis como ‘duro de matar’, a Schwarzenegger como ‘exterminador do futuro’ e a Chuck Norris como ‘lobo solitário’. Não sei se todos esses caras estão caídos como parecem ou se puseram botox para o filme, mas estão horríveis e é isso, paradoxalmente, ao transformá-los em caricaturas deles mesmos, que os torna humanos e, no limite, divertidos. Há um garoto que é morto pela dupla de vilões. Stallone atravessa uma verdadeira guerra para dar o troco a Van Damme. A boa e velha catarse. Com todo respeito pela memória de Zilka Salaberry, mas Stallone, de tão repuxado, virou essa velha – e querida – atriz da Globo. Expendable, os sacrificados – ou sacrificáveis. Saí do cinema num estado de euforia. E aí ocorreu uma coisa incrível. Meus amigos sabem, e vocês também, que adoro uma bateria de escola de samba. Na saída do Marabá, guiado pelo som, adentrei pela 24 de Maio, onde, ali adiante, na altura de onde vai ser o Sesc, na esquina da Dom José de Barros, uma galera fazia o maior samba-exaltação. Bateria da pesada. Havia gente que não aguentou e sambava no pé. Até sem-tetos, acreditam? Foi um daqueles momentos mágicos que, volta e meia, me fazem acreditar que a vida, apesar de tudo, é bela.

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