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Os franceses deram o nome

Luiz Carlos Merten

20 de junho de 2015 | 04h14

LOS ANGELES – The french have a name for it. Adorei o ciclo da American Cinematheque que começou hoje, sexta-feira, e vai até segunda. O nome para o melodrama urbano, temperado de sexo e violência, é filme noir. American Cinematheque, para mim, é o Egyptian Theatre, no Hollywood Boulevard, mas descobri só hoje que existe outra sala em Santa Monica, o Aero Theatre, e é lá que estão sendo exibidos os noir franceses. Quase perdi a sessão. Barack Obama está na cidade e o tráfego de Los Angeles virou uma bagunça, com áreas (muitas) interditadas. Mas consegui ver La Vérité, A Verdade. Tenho de admitir que conheço pouco Henri-Georges Clouzot. Seu documentário sobre Picasso, Le Mystère Picasso, Le Corbeau, As Diabólicas, Salário do Medo. Em 1960, Brigitte Bardot era a grande estrela do cinema francês, o maior ‘produto’ de exportação da França. BB. Clouzot pegou seu hedonismo, o amor livre, e o levou à barra do tribunal. BB vai a julgamento, acusada de matar o amante. Ela matou mesmo? Qual é a verdade no caso? Foi curioso ver esse filme com 55 asnos de atraso – perdi-o na época, até porque era ‘de menor’ e nem sempre conseguias driblar os porteiros, entrando em filmes proibidos (até 18 anos). Na época, P.F. Gastal, e toda a imprensa do mundo, proclamavam – BB representa! Gostaria de ter visto Em Cas de Malheur, de Claude Autant-Lara, rebatizado como Love Is My Profession. BB faz uma prostituta acusada de roubo. É defendida pelo advogado Jean Gabin. De todos os diretores da ancienne vague, Autant-Lara foi aquele que François Truffaut escolheu para odiar. Gostaria de ter visto, mas corri para o Sunset Boulevard porque queria ver, no Arclight, Me, Earl and the Dying Girl. Havia visto o trailer há um par de meses, na junket de Mad Max – The Fury Road, e estava nos cascos para conferir o longa de Alfonso Gomez-Rejon, que ganhou os prêmios do júri e do público em Sundance, em janeiro. Um adolescente que vive refazendo com o amigo ‘todos’ os grandes filmes, se envolve com garota que está morrendo de leucemia, e você pode se preparar porque ela morre mesmo. O filme possui um encanto especial, numa vibe meio 500 Dias com Ela, mas que são só 290 (e poucos), porque tal é o prazo de vida/validade da protagonista feminina. Se todas as histórias já foram contadas, por que alguns filmes ainda nos apanham com tanta intensidade? É simples. No cinema, tout est dans la mise-em-scène e até as histórias batidas podem ser reinventadas. Como dizia Claude Chabrol, o problema não é o que contar, mas como contar. Gomez-Rejon – quem é? – conta de uma forma que me apanhou, e me fez viajar. É tudo o que espero no cinema.