As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Os fantasmas de Forman (não percam no É Tudo Verdade)

Luiz Carlos Merten

25 de setembro de 2020 | 10h29

Paulo Francis não tinha muito apreço pelo Mozart de Milos Forman. Dizia que era Mozart para roqueiros. Concordo com ele, mas vou na contramão e gosto do filme justamente por isso. Em compensação, Francis considerava Na Época do Ragtime o maior ataque de Hollywood ao racismo, e eu sempre assinei embaixo. Tenho o maior respeito por Denzel Washington, mas já devo ter escrito no blog que nunca entendi como ele virou astro, porque lá atrás, em A História de Um Soldado, de Norman Jewison, Denzel é anulado pela presença poderosa de Howard E. Rollins Jr., que já havia sido o Coalhouse Walker Jr. de Forman na adaptação do romance de E.L. Doctorow. Rollins Jr. morreu em 1996, aos 46 asnos, de copmplicações decorerentes da aids. Seu agente tentou ocultar o fato, mas a família, a pedido do próprio Rollins, tornou pública a causa da morte. Não é verdade o wque escrevi acima, que nunca entendi porque ele não virou astro. Rollins Jr. era seu pior inimiho – a dependência química causou estragos em sua vida, e carreira. Mas, enfim, o post é sobre Milos Forman, e não sobre ele. Sempre tive admiração por ele, desde seus tempos na nouvelle vague tcheca. Pedro, o Negro, Os Amores de Uma Loira, O Baile dos Bombeiros. O fim da primavera de Praga o lançou no exílio e Forman radicou-se nos EUA. Dirigiu Busca Insaciável, que foi um fracasso de público e poderia ter acabado com ele, se o produtor Saul Zaentz e Michael Douglas não lhe permitissem dirigir Um Estranho no Ninho. Forman ganhou o Oscar, dirigiu depois Hair, Ragtime, ganhou outro Oscar por Amadeus e emendou O Povo Contra Larry Flint, O Mundo de Andy e Os Fantasmas de Goya. Forman morreu em 2018, aos 86 anos, num hospital em Danbury, Connecticut. Nunca soube de sua tragédia familiar – o pai e a mãe morreram em campos de extermínio nazistas; do pai ele nunca mais soube, mas a mãe ainda viu uma última vez; foi criado em internatos -, mas sempre segui com interesse e admiração sua carreira na antiga Checoslováquia e em Hollywood. Assisti no outro dia, nas cabines do É Tudo Verdade, ao documentário Forman vs. Forman, de Helena Trestiková e Jakub Hejna, que será apresentado no sábado – amanhã, 26 -, às 13 h, no festival de Amir Labaki. O filme é rico em informações – Forman teve duas vezes vezes gêmeos masculinos, com diferentes mulheres. Era amigo, mas isso eu já sabia, de Vaclav Havel, o escritor que foi o úlimo presidente da Checoslováquia e o primeiro da República Checa. Recomendo o filme pela sinceridade, pela honestidade das informações, mas também pela beleza. Rever todas aquelas cenas de filmes clássicos de Forman me lavou a alma. Deveria ter colocado algum filme dele na minha série de Clássicos do dia. Quem sabe nos próximos 100?

Tendências: