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Orquestrando o apocalipse – o novo número de Cinemascope

Luiz Carlos Merten

19 de junho de 2017 | 22h10

Comprei, na banca da Paulista, a nova Cinemascope. Spring 2017. Always expanding the frame on international cinema. A revista derrama-se em elogios para dois de meus favoritos na Berlinale deste ano – o Hong Sangsoo, On the Beach at Night Alone, considerando Kim Minhee ‘his most compelling charachter to date’, e Bright Nights, do alemão Thomas Arslan, sobre um pai ausente que tenta recuperar a estima do filho. Kim e Georg Friedrich venceram os prêmios de interpretação e eu não posso dizer que tenha aprovado o segundo. Por melhor que seja, preferia que o prêmio tivesse sido atribuído ao Joaquim de Marcelo Gomes, o extraordinário Júlio Machado. A revista publica uma belíssima entrevista com James Gray, por A Cidade Perdida de Z – The Quest for Beauty -, e emenda com uma análise muito interessante de… Pasmem! Resident Evil – The Final Chapter. Orchestrating the Appocalypse, The Survival Horror of Paul W. Anderson. Não creio que alguma vez a série com Milla Jovovich tenha sido levada a sério por aqui, mas deveria, porque a saga de Alice é tudo, menos um spinoff imbecil de game. Cinemascope crava o que poderá ser o Moonligt deste ano – The Stairs, de Hugh Gibson -, e leva muito a sério O Silêncio, considerando-o o melhor Martin Scorsese desde Kundun. Não por acaso, são dois filmes que dialogam entre si sobre temas espirituais e religiosidade. Na época, 1997 – há 20 anos -, até gostei de Kundun, mas não consegui agora me entusiasmar com O Silêncio, até porque, no meu imaginário, permanece muito vivo o japonês O Cristo de Bronze, sobre um tema similar, que vi garoto. Mas confesso que a frase inicial do texto de Andrew Tracy me levou a prosseguir na leitura, pelo simples fato de que ele desqualifica a produção de Marty nestas duas décadas, o que inclui todos – todos! – os seus filmes com Leonardo DiCaprio. Gangues de Nova York, O Aviador, Os Infiltrados, Ilha do Medo e Lobo de Wall Street, espero não haver esquecido nenhum. No discurso de agradecimento do Oscar, que ganhou pelo Iñárritu, ‘Leo’ agradeceu a Scorsese e o chamou de gênio. Não para mim nem para Cinemascope. Não é que me preocupasse estar sozinho contra o falso gênio. Mas é bom saber que tem mais gente pensando. A boiada que segue Scorsese não pensa p… nenhuma.