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Onde foi parar?

Luiz Carlos Merten

24 de fevereiro de 2014 | 09h38

Liguei agora para a pauteira do Caderno 2 para ver se hoje tem cabine e ela me cobrou a matéria que deveria ter feito – a crítica – sobre Pompéia. Como? Fui ontem pela manhã à redação do Estado justamente para redigir o texto. Deixei-0 fechado, com tudo a que tinha direito. E tenho certeza de que salvei, porque havia fechado a página e precisei reabrir para conferir um nome. O texto continuava na página – se não tivesse salvado, teria sumido. Onde foi parar? Muito estranho. Fiquei sem bússola e agora estou pensando se vou ver o tal Refém da Paixão (a cabine), que nem sei o que é. No sábado, fui rever Clube de Compras Dallas e até gostei mais do filme do franco-canadense Jean-Marc Vallée, que deve valer a Mathew McConaughey o Oscar de melhor ator do ano e a Jared Leto, o prêmio de coadjuvante. ‘Mat’ virou um fenômeno. Fez sei lá quantos filmes nos últimos anos, porque tem filmado muito e por uns três ou quatro, além do Clube de Compras, mereceria o prêmio da Academia. Que outro ator no ano tem esse currículo recente para oferecer? Mas eu confesso que o Oscar se esvazia cada vez mais rapidamente para mim. Sei que, em velhos – e já sou um -, a memória das coisas antigas é acionada mais facilmente que a dos fatos e coisas novas. Por exemplo, sou capaz de me lembrar, só como exemplo, dos vencedores do Oscar de 1960 (Se Meu Apartamento Falsasse, Billy Wilder, Burt Lancaster e Elizabeth Taylor), ou de 1978 (O Franco-Atirador, Michael Cimino, Jon Voight e Jane Fonda), mas penei para me lembrar quem foi o melhor ator do ano passado, o  antecessor do presumível McConaughey. É verdade que podia haver certa má vontade, mas Daniel Day-Lewis, afinal, fez história no prêmio, sendo o único ator – o único! -, em toda a história, a ganhar três vezes o Oscar, e por um filme do qual gosto, o Lincoln de Steven Spielberg. Devem estar loucos. Day-Lewis não teria ganhado uma vez comigo. Bem, talvez uma, e justamente a primeira, por Meu Pé Esquerdo, no ano em que concorriam, se não me engano, o Tom Cruise de Nascido em 4 de Julho e o Morgan Freeman de Conduzindo Miss Daisy. Enfim, preciso acrescentar que descobri que o Cine Olido apresenta um ciclo de filmes equatorianos. Ou todo mundo já viu tudo, ou a apaixonada defesa do cine latino é só fachada. Já vi dois dos filmes e não encontrei uma alminha da ‘crítica’. Filme de onde, do Equador? Achei bem interessante. Em Com Meu Coração em Yambo, Maria Fernanda Restrepo aproxima-se de Cristiano Burlan (Mataram Meu Irmão), ao tratar, em chave de documentário, do assassinato de seus irmãos pela polícia. O outro filme foi uma ficção – Melhor não Falar (de Certas Coisas), de Andrés Crespo, sobre as trajetórias de dois irmãos drogados que provocam a morte do pai, um tem um caso com mulher casada e o outro vira amante do ex-marido da cunhada. Poderia ser uma tragédia suburbana, à Nelson Rodrigues, mas é outra coisa. Cheguei a me comover com a pobreza de recursos. Uma cena importante passa-se durante um festival de rock que o diretor filmou em planos fechados, com uns 20 gatos pingados figurando a multidão. A pobreza de recursos não anula a estética. O álbum de família reflete de forma muito crítica a realidade do país.

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