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Onde andam nossos caubóis?

Luiz Carlos Merten

06 de setembro de 2011 | 12h07

James Giacomoni aproveita o post sobre ‘Gunsmoke’ para relatar sua experiência em Monument Valley. Como eu no ano passado, ou há dois anos, já perdi a data, o James foi visitar o solo sagrado do western, onde John Ford rodou seus grandes filmes. O curioso é que chegamos a Monument Valley por diferentes caminhos, ele por Farmington, voando sobre as Rochosas, eu por Flagstag, acompanhando, por terra, os sinuosos contornos do rio Colorado. James conta que procurou em vão a locação do que seria a casa do irmão de John Wayne, quando ele volta da guerra, na abertura de ‘Rastros de Ódio’, The Searchers. Meu amigo Fernando Severo, que co-dirigiu ‘Corpos Celestes’ com Marcos Jorge, aproveitou um outro post em que eu falava de bangue-bangues para declarar seu amor por Sergio Leone. Eu, cada vez que estou zapeando na TV paga e entram as imagens dos spaghetti westerns de Leone, confesso que começo vendo aquilo com imenso prazer, mas logo me aborreço e, se por acaso diminuo o som, cortando a trilha operística de Ennio Morricone, os filmes ficam insuportáveis, ou quase. Histórias mínimas, cenas esticadas ao máximo, a tensão dos detalhes, mas sempre a mesma coisa. Sorry, Severo, mas por mais apreço que possa ter por Leone e sua releitura desmistificadora do western – com aqueles pistoleiros que vestem as longas capas de John Ford em ‘O Homem Que Matou o Facínora’ –, tendo sempre a recolocar as coisas em perspectiva e volto aos ‘meus’ velhos. Ford, Ford, Ford. Hawks, Hawks, Hawks. Walsh, Walsh, Walsh. Mas não contesto quem gosta de Leone, como Severo. É uma opção estética, e a minha é outra. A propósito, estreia na sexta ‘Cowboys e Aliens’, de Jon Favreau, a que assisti agora, em Naperville, Chicago, Illinois, aonde fui visitar o set do novo Superman. Favreau é chegado às fantasias científicas, tendo feito, entre outros, os filmes da franquia ‘Homem de Ferro’, que ressuscitaram Robert Downey Jr. ‘Cowboys e Aliens’, até como o título sugere, oferece dois filmes em um. Uma história de cowboys e pistoleiros, narrada de forma tradicional, ou quase, e outra de alienígenas que querem dominar a Terra e invadem as paragens do Velho Oeste. A primeira é melhor, a segunda é um tanto previsível e o humor que deveria articular as duas é desse ‘tamanhinho’, ou seja, nulo. Posso até ter-me divertido em partes, graças a algumas referências a citações, mas poderia muito bem ter passado sem o novo filme de Favreau. O interessante é que, volta e meia, tenho desses surtos. Estou vendo um filme e penso com meus botões – ‘O que ocorreria se…?’ Já pensei nisso, marcianos invadindo Monument Valley. ‘Cowboys e Aliens’ é a prova de que existem coisas, ou gêneros, inconciliáveis, ou então ainda está para nascer quem vá fazer uma boa mistura de ingredientes tão… Díspares?

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