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Olhem quem eu ando entrevistando… Villeneuve! Storaro!

Luiz Carlos Merten

20 de setembro de 2017 | 10h26

Tenho feito entrevistas bem interessantes. No domingo, conversei com Denis Villeneuve, pelo seu Blade Runner, e ele estava em Berlim. Haviam me dito 15 minutos, mas ele deve ter gostado, porque ficamos quase meia hora discutindo sua sequências do cult de Ridley Scott. Na Comic.com de San Diego, Villeneuve disse que aceitou fazer porque gosta muito do original e não queria que ninguém fodesse com o projetro – como fez o próprio Ridley Scott em Alien Covenant. Vi 25 minutos de footage para fazer a entrevista e fiquei pretty excited. Villeneuve terminou a entrevista – ‘I hope I won’t disappoint you’. Também espero que não me desaponte. O que vi promete, e muito. No domingo, de Nova York, tive mais meia hora com Vittorio Storaro, que inicia por esses dias a rodagem de seu terceiro filme com Woody Allen. Na sexta, inaugura-se na Oca a grande exposição Escrever com a Luz, uma espécie de súmula da vida e obra de Storaro como autor de cinematografia, como ele fez questão de se autodefinir. Na Itália, disse-me, ‘abolimos o conceito de diretor de fotografia, porque a fotografia é estática e no cinema trabalhamos com imagens em movimento, transformando matéria em energia.’ Storaro me falou de Woody Allen, de seu pai – um projecionista – e de quão importante, para ele, foi ter estreado com o diretor Franco Rossi, a quem se refere como uma figura paterna. Franco Rossi! Pode até ser verdade, como diz Jean Tulard no Dicionário de Cinema, que Rossi tenha se perdido nos filmes de esquetes, nos anos 1960, mas Storaro me disse que, na Itália, ele é reconhecido como um ‘maestro’ e que Amigos do Peito, que citei, é um clássico. Storaro capçtrou para Rossio as imagens de Giovinezza, Giovinezza, de 1968/69, numa época em que o mundo estava em transformação e, logo em seguida, ele fez O Conformista, de Bernardo Bertolucci, iniciando a parceria de 25 anos. Storaro! Na terça, tomei café da manhã com Camila Morgado, para falarmos de seus três filmes – Divórcio, Vergel e O Animal Cordial -, e depois o restante de meu dia foi ocupado por Darren Aronofsky, que está promovendo Mother!, Mãe!, e a matéria está na capa do Caderno 2 de hoje. Muita coisa acontecendo, inclusive a cabine de Entre Irmãs, à noite, no Belas Artes. Dib Carneiro e Claudio Fontana foram comigo – Paula Ferraz faz a assessoria do filme, mas Renata Alvim, que faz o musical 2 Filhos de Francisco, chamaram a gente. Meus amigos acharam o filme um novelão, e pode até ser que seja, mas eu tenho de admitir que adoro os novelões de Breno Silveira. Dar conta da história dessas duas irmãs que seguem trajetórias tão diversas, uma no cangaço, a outra na alta sociedade pernambucana, nos idos de 1930 e 40, não é pouca coisa e eu viajei nos excessos musicais de Antônio Pinto e nas interpretações de Marjorie Estiano, Nanda Costa (maravilhosa) e Júlio Machado (poderoso). Até chorei, mas isso vai ser tema de outro post. Agora tenho de entrevistar, seguindo minha série de grandes entrevistas nesta semana, Júlia Murat.

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